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Eleições deixam Itália quase ingovernável

Mundo

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A coligação de centro-esquerda tem maioria absoluta na Câmara dos Deputados mas não consegue o mesmo resultado no Senado. As grandes votações de Berlusconi e Beppe Grillo tornam a Itália num país dificilmente governável

O líder da coligação de centro-direita e ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pediu hoje sacrifícios aos partidos para que se consiga governar o país depois de as eleições gerais terem terminado sem maioria no Senado.

"Pelo bem de Itália, todos têm de fazer sacrifícios. Não creio que Itália não seja governável", disse Berlusconi durante uma intervenção telefónica num programa da televisão "Canale5".

Para o ex-primeiro-ministro a solução não passa por repetir as eleições para a câmara alta.

Esquerda com maioria curta no Senado

A coligação de esquerda italiana, liderada por Pier Luigi Bersani, obteve a maioria dos assentos na câmara baixa.

A coligação de esquerda ganhou a Câmara dos Deputados com 29,55% dos votos, contra 29,18% para a coligação de centro-direita, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, mas a lei eleitoral, que atribuiu um prémio de maioria ao vencedore, permite que a formação de Barsani ganhe 340 dos 630 assentos na câmara baixa, mesmo com esta pequena diferença nos votos reais.

A coligação do Partido Democrata (PD) ganhou também no Senado com 31,63 % dos votos, numa altura em que está apurada a quase totalidade dos votos das eleições legislativas italianas de domingo e segunda-feira.

A coligação de centro-direita do antigo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, formada pelo partido Povo da Liberdade, a Liga Norte e outras formações de direita, obteve 30,72 % dos votos, indicou a agência espanhola Efe.

O Movimento Cinco Estrelas do ator e comediante Beppe Grilo conseguiu 23,72 % dos votos, convertendo-se na terceira força mais votada do país.

Grillo é o grande vencedor

O comediante Beppe Grillo conseguiu um resultado extraordinário nas eleições legislativas em Itália, nas quais se apresentou com uma bandeira "de honestidade e anti-política", conquistando um grande número de seguidores mobilizados nas ruas e redes sociais.

"Ser honesto estará na moda", disse Grillo no seu primeiro comentário no Twitter, depois de conhecidos os resultados eleitorais, que, em última análise, apontam para uma situação de ingovernabilidade em Itália, dado que na Câmara dos Deputados terá a maioria o centro-esquerda e no Senado o centro-direita, em virtude das particularidades do sistema eleitoral del país.

O Movimento Cinco Estrelas, dirigido por Grillo aparece como uma terceira via, como um movimento não político, ou mesmo "anti-político", no sentido de propor uma mensagem que o situa à margem, contra o que se poderia chamar a "velha política", temperado com uma grande dose de populismo, um pouco de euroceticismo e uma feroz oposição ao euro.

Monti o grande derrotado

No lado dos derrotados ficou Mario Monti, o primeiro-ministro tecnocrata que liderou Itália nos últimos meses. O seu partido não passou dos dez por cento dos votos, ficando, por isso, o antigo comissário europeu mais longe de fazer parte do futuro executivo italiano.