Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Brasileiros vão testar vacina contra a SIDA em macacos

Mundo

  • 333

A vacina contra a SIDA vai começar a ser testada em macacos no Brasil ainda este ano. Prevê-se que os testes, que visam encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos, durem 24 meses

De acordo com a agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa  do Estado de São Paulo (FAPESP), com duração prevista de 24 meses, a experiência  tem o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser  usado em humanos. 

Concluída esta fase, e se houver financiamento suficiente, poderão começar  os primeiros ensaios clínicos. 

A vacina, denominada HIVBr18, foi desenvolvida e patenteada pelos investigadores  da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. 

Atualmente, o projeto é conduzido no âmbito do Instituto de Investigação  em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs),  um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoiado  pela FAPESP no Estado de São Paulo. 

O trabalho teve início em 2001, sob a coordenação de Cunha Neto.  

Com Jorge Kalil, Cunha Neto analisou o sistema imunológico de um grupo  especial de portadores do vírus que mantinham o VIH sob controlo por mais  tempo e adoeciam mais tarde. 

No sangue dessas pessoas, a quantidade de linfócitos T do tipo CD4 -  o principal alvo do VIH - permanecia mais elevada do que o normal. 

"Os portadores de VIH que tinham os TCD4 citotóxicas conseguiam manter  a quantidade de vírus sob controlo na fase crónica da doença", referiu Cunha  Neto. 

A partir destes dados, seguiram-se vários anos de estudos com os TCD4  e a organização de textos científicos, alguns publicados em revistas internacionais,  e testes em ratos. 

Os cientistas acreditam que, no estágio atual de desenvolvimento, a  vacina não eliminaria totalmente o vírus do organismo, mas poderia manter  a carga viral reduzida ao ponto de a pessoa infetada não desenvolver a imunodeficiência  e não transmitir o vírus. 

Segundo Cunha Neto, a HIVBr18 também poderia ser usada para fortalecer  o efeito de outras vacinas contra a Sida, como a desenvolvida pelo grupo  do imunologista Michel Nussenzweig, da Rockefeller University, de Nova Iorque,  feita com uma proteína do VIH chamada gp140. 

A última etapa do teste pré-clínico será realizada em macacos Rhesus do Instituto Butantan-- uma parceria que envolve as pesquisadoras Susan  Ribeiro, Elizabeth Valentini e Vania Mattaraia.  

Para os investigadores, a vantagem de fazer testes em primatas é a semelhança  com o sistema imunológico humano e o facto de serem suscetíveis ao VIS,  vírus que deu origem ao VIH. 

O ensaio clínico de fase 1 deverá abranger uma população saudável e  com baixo risco de contrair o VIH, que será acompanhada de perto por vários  anos.  

Nesse primeiro momento, além de avaliar a segurança da vacina, o objetivo  é verificar a magnitude da resposta imune que é capaz de desencadear e por  quanto tempo os anticorpos permanecem no organismo.