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Os alemães vão às urnas e Angela Merkel deverá conquistar o seu terceiro mandato como chanceler. Um escrutínio decisivo para Portugal e outros países do Sul. VEJA AS FOTOS 

2012 World Press Photo of the year by Samuel Aranda, Spain, for The New York Times
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2012 World Press Photo of the year by Samuel Aranda, Spain, for The New York Times

2nd prize Arts and Entertainment Singles category by Vincent Boisot, France, Riva Press for Le Figaro Magazine
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2nd prize Arts and Entertainment Singles category by Vincent Boisot, France, Riva Press for Le Figaro Magazine

1st prize Arts and Entertainment Stories category by Rob Hornstra, The Netherlands shows the Sochi Project
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1st prize Arts and Entertainment Stories category by Rob Hornstra, The Netherlands shows the Sochi Project

1st prize Contemporary Issues Singles category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for Kiev Independent
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1st prize Contemporary Issues Singles category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for Kiev Independent

1st prize Daily Life Singles category by Damir Sagolj, Bosnia and Herzegovina, Reuters
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1st prize Daily Life Singles category by Damir Sagolj, Bosnia and Herzegovina, Reuters

1st prize Daily Life Stories by Alejandro Kirchuk, Argentina "Never Let You Go"
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1st prize Daily Life Stories by Alejandro Kirchuk, Argentina "Never Let You Go"

1st prize Nature Singles category by Jenny E. Ross, USA. Novaya Zemlya
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1st prize Nature Singles category by Jenny E. Ross, USA. Novaya Zemlya

1st prize Nature Stories category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for National Geographic
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1st prize Nature Stories category by Brent Stirton, South Africa, Reportage by Getty Images for National Geographic

1st prize General News Singles category by Alex Majoli, Italy, Magnum Photos for Newsweek
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1st prize General News Singles category by Alex Majoli, Italy, Magnum Photos for Newsweek

2nd prize People in the News Singles category by Tomasz Lazar, Poland shows the arrest of protesters in Harlem, New York City
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2nd prize General News Stories category by Paolo Pellegrin, Italy, Magnum Photos for Zeit Magazin
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1st prize People in the News Stories category by Yasuyoshi Chiba, Japan, Agence France-Presse
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Angela Merkel e o seu principal opositor, o social democrata Peer Steinbrück, do SPD, têm feito de conta que a Europa não existe, mas a verdade é que o resultado do sufrágio de dia 22 vai afetar o nosso futuro comum, em particular o dos países do Sul flagelados pela crise. De acordo com os analistas, o próximo domingo pode converter-se numa data decisiva na crise do euro e num momento clarificador das grandes incógnitas que pairam sobre a União Europeia em geral e a zona euro em particular - a união política, a união bancária, o crescimento económico (que também desacelera na Alemanha), o futuro da moeda única e dos Estados que, submetidos ao diktat da austeridade, se converteram em protetorados de uma troika não sufragada pelos respetivos eleitorados. 

As sondagens atribuem a Merkel uma maioria folgada. Mas os seus parceiros de coligação, os liberais-democratas do FDP, arriscam-se a não atingir a votação mínima de 5%, obrigatória para eleger deputados. Os estudos de opinião e a erosão eleitoral do FDP nas mais recentes eleições regionais - ainda na semana passada, na Baviera, desceu de 8% para 3,3% - permitem especular que Merkel terá de formar o próximo Governo com os sociais-democratas. Uma solução suscetível de obrigar a alguns reajustamentos na política europeia de Mutti, ou "mãezinha", como lhe chamam na Alemanha.

Portugal

Depois de 22 de setembro, Lisboa espera beneficiar do desempenho de bom aluno para encontrar em Berlim uma maior compreensão para a necessidade de se tomarem medidas mais equilibradas para combater a crise. A começar pela posição nas negociações em curso para se flexibilizar a meta do défice para 2014 - o ano em que o vice-primeiro-ministro Paulo Portas quer ver a troika pelas costas - dos atuais 4% do PIB para 4,5 por cento.

Uma palavrinha de Angela Merkel a favor de Pedro Passos Coelho, pode desbloquear muita coisa, numa altura em que em cima da mesa já há um "programa cautelar" para se seguir ao de assistência financeira, que termina em junho de 2014. O Governo, através de Portas, tem veementemente frisado que não se trata de um segundo resgate, à semelhança da Grécia, mas de uma espécie de seguro, idêntico ao que a Irlanda vai ter (mais informação na página 60).

Espanha

Em Madrid, não se espera propriamente que Merkel perca as eleições. Mas, contava na semana passada o diário El País, no Governo espanhol fazem-se figas para que os sociais-democratas germânicos tenham um resultado suficientemente bom para obrigar a chanceler a mudar de parceiro de coligação. Espera-se, assim, um alívio na imposição de medidas de austeridade.

Apesar das afinidades ideológicas do PP espanhol, atualmente no poder, com a CDU alemã (ambos fazem parte do Partido Popular Europeu), as posições europeias assumidas pelo SPD estão bastante mais próximas das do Executivo de Mariano Rajoy - sobretudo no que diz respeito à emissão de eurobrigações e à união bancária.

A crise obrigou o Governo a injetar na banca um pacote de ajuda de 42 mil milhões de euros, e assume proporções gravíssimas, tendo, nomeadamente, a taxa de desemprego juvenil ultrapassado 56 por cento. Não é por causa da crise que o atual Executivo deixa de ser ambicioso, na frente diplomática: Madrid quer ser o parceiro especial de Berlim, no Sul da Europa, e voltar ao lugar influente que já teve ao lado da Alemanha, na década de noventa.

Grécia

"Não nos pressionem para mais medidas. Não aguentamos mais. Tudo está por um fio." Esta foi a mensagem deixada, esta terça-feira, 17, em Bruxelas pelo primeiro-ministro grego, Antonis Samaras. Este domingo, dia das eleições alemãs, chegarão a Atenas os técnicos da troika para mais uma avaliação do atual programa de ajustamento - o segundo. E encontrarão o país, com uma taxa de desemprego a roçar os 30%, mergulhado numa onda de greves.

Já se fala à boca cheia num terceiro resgate ou num novo perdão de parte da dívida, um "corte de cabelo", na gíria "austeritária". Merkel sacudiu rapidamente para o lado o assunto que fora levantado pelo seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. Antes do final do ano, a chanceler não quer conversas sobre novas ajudas à Grécia. Ponto final.

Entretanto, Samaras tem repetido que não haverá novas medidas de austeridade para os gregos. Não dever ter, por isso, gostado da  resposta de Berlim. O líder parlamentar dos democratas-cristãos alemães, Michael Meister, pôs os pontos nos "is", através da agência informação financeira Bloomberg: "Se a Grécia precisar de mais ajuda é perfeitamente claro que tem de se vincular a novos termos. Não haverá, definitivamente, um novo programa sem condições."

Itália

Em Roma, um alívio da austeridade e políticas orientadas para o crescimento do país, em recessão desde 2011, permitiriam à precária coligação liderada por Erico Letta um intervalo para respirar fundo. Mas a Itália está novamente ameaçada por um episódio que poderá desencadear mais uma crise, na linha da sua instabilidade política crónica: a votação, no Senado, agendada para esta quarta-feira, 19 (já depois do fecho desta edição). Em causa está a questão de saber se o antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi deve ou não ser expulso do Parlamento por ter sido condenado por fraude fiscal. Há semanas que o Partido da Liberdade, de Berlosconi, ameaça tirar o tapete ao Governo, no caso de os senadores optarem pela expulsão do seu chefe. Mas uma descida recente nas sondagens poderá refrear-lhe o ímpeto e obrigá-lo a permanecer no Executivo, mesmo sem o líder. Letta conseguiria, assim, chegar como primeiro-ministro ao início do próximo ano, e assumir a presidência da União Europeia, no primeiro semestre de 2014, cargo que lhe permitiria realizar os seus grande planos para a Europa, sobretudo no que respeita à união bancária - um dossiê que Merkel não tem pressa de ver concretizado.

Chipre

O Presidente cipriota Nicos Anastasiades dizia, este verão, em declarações à Reuters, acreditar que "vamos ver uma senhora Merkel diferente, depois das eleições". Em breve, perceber-se-á se se tratava de um palpite certeiro ou mais de um mero desejo. Em queda livre há dois anos, a economia da ilha atravessa o seu pior período desde a década de setenta, tendo o PIB caído 5,9%, no segundo trimestre de 2013. Entretanto, na segunda-feira, 16, o FMI aprovou uma segunda tranche de cerca 85 milhões de euros do empréstimo concedido a Chipre, no âmbito do programa de assistência da troika. Christine Lagarde, diretora do FMI, mantém-se cética. Fala dos enormes riscos do programa, com um valor total de 10 mil milhões de euros, e que submete o país a duras medidas de austeridade, incluindo privatizações que devem render 1 400 milhões de euros. No domingo, 15, Anastasiades admitiu, em declarações, ao jornal Kathimerini Cyprus que a privatização de empresas como a Cyta (telecomunicações) e as de gestão de instalações portuárias, entre outros ativos, pode não ser total, ficando o Estado com uma participação de controlo.