Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Amnistia Internacional defende investigação a eventual ataque químico

Mundo

  • 333

O porta-voz da Amnistia Internacional-Portugal defendeu hoje a abertura de uma investigação e eventual condenação dos responsáveis pelo alegado massacre na Síria com recurso a armas químicas e considerou que a posição da ONU é "gravíssima"

"Isto é evidentemente óbvio. No mínimo tem que haver uma investigação e, eventualmente, a condenação do país, das autoridades, dos responsáveis por um ato desta natureza", afirmou hoje Vítor Nogueira, em declarações à agência Lusa.

A Coligação Nacional Síria (CNFROS), oposição ao governo, denunciou na quarta-feira que pelo menos 1.300 pessoas morreram num ataque com armas químicas realizado pelo exército nos arredores de Damasco, acusações que foram rejeitadas quase de forma imediata pelo regime de Bashar Al Asad.

De acordo com o Governo sírio, estas acusações são "uma tentativa para impedir a comissão de inquérito das Nações Unidas sobre armas químicas de realizar bem a missão".

Referindo não ter ainda uma posição oficial da Amnistia Internacional, Vítor Nogueira explicou que, normalmente, se exige "um inquérito rigoroso a este tipo de intervenção", em que são tomadas medidas "que afectem as populações civis e que atinjam a legalidade existente em relação às leis da guerra pela utilização de armas ilegais, neste caso gás sarin".

Além disso, acrescentou, é também habitual "a responsabilização de quem tomou tal decisão ou participou neste tipo de acção".

Na quarta-feira, o Governo dos Estados Unidos da América (EUA) pediu uma "investigação urgente" da Organização das Nações Unidas (ONU) depois das acusações da oposição síria sobre o alegado ataque químico de grande escala que terá feito 1.300 mortos.

No entanto, o Conselho de Segurança da ONU foi incapaz de chegar a acordo para pedir formalmente uma investigação, situação que o porta-voz em Portugal da Amnistia Internacional considera ser muito grave.

Embora tenham dito apoiar a determinação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de pedir una investigação imparcial sobre os acontecimentos, os membros do Conselho de Segurança não foram capazes de chegar a consenso sobre uma resolução ou declaração presidencial (um documento de menor alcance) para pedir formalmente que se investigue este incidente.

Para o porta-voz da Amnistia Internacional-Portugal, esta "é uma daquelas situações gravíssimas" já que mostra "uma instrumentalização política por parte de membros do Conselho de Segurança [da ONU]".

Vitor Nogueira considera que "o facto da Rússia ou da China bloquearam qualquer tipo de acção nesta matéria, mesmo em relação a uma investigação, é uma situação muito grave".

"Porque, em nome da neutralidade do discurso, efectivamente alguns países, por razões de natureza geoestratégica, por razões que não têm que ver com os interesses da comunidade internacional, procuram proteger os criminosos, os responsáveis por actos desta natureza", acusou.

Para o porta-voz da Amnistia Internacional-Portugal esta situação "parece como que o renascimento da Guerra Fria: das posições tomadas pelas grandes potências (EUA e ex-União Soviética) em relação à protecção dos responsáveis que eram seus aliados".

Naquela altura, lembrou, podiam acontecer "os maiores crimes, os maiores abusos, mas [os responsáveis] tinham sempre um guarda-chuva de uma grande potência para os proteger".