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Líbano: e, ao 13.º dia de protestos, o Governo caiu

Mundo

Enquanto as manifestações subiam de tom nas ruas de Beirute, Saad Al-Hariri acabou mesmo por resignar.

Foi o pedido mais ouvido desde que os protestos começaram: “o povo quer que o Governo caia”. E ao fim de 13 dias, caiu mesmo. O primeiro-ministro Saad AL Hariri já anunciou esta tarde que vai entregar a sua carta de demissão ao presidente do País, Michel Aoun. “Chegámos a um impasse e precisamos de um choque para atravessar esta crise”, referiu Al Hariri durante o anúncio transmitido pela televisão. “Vou agora dirigir-me ao palácio presidencial para entregar a resignação do Executivo. Esta é a resposta à vontade e aos pedidos de milhares de libaneses que querem uma mudança”, salientou.

Este domingo, 27 de outubro, um cordão humano ligou as principais cidades do país unindo-o de ponta a ponta, numa espécie de manifesto que dava seguimento ao que se pedia ouvido nas ruas: “O Líbano é de e para todos”. Durante todo este tempo tentou-se não partidarizar os protestos num país em que o Presidente tem de ser cristão maronita, o primeiro-ministro sunita e o presidente do parlamento xiita, tal como consta do pacto nacional que foi assinado em 1943.

Depois de uma semana em que vários líderes – desde o presidente, passando pelo próprio primeiro-ministro agora demissionário, e também pelo responsável do mais poderoso partido político do Líbano, o Hezbollah – mostraram-se contra a queda do Governo, garantindo que esta opção pioraria a situação do país. O Líbano enfrenta atualmente um problema sério devido à dimensão da sua dívida pública em relação ao PIB: 150%, uma das maiores do mundo. Criar um novo governo rapidamente é uma necessidade, mas teme-se uma presença mais forte do Hezbollah na composição do novo Executivo. Este cenário dificultaria o acesso a financiamento externo, que parece incontornável para conseguir resolver a questão da dívida.

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