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Economia mundial "caminha como um sonâmbulo" para uma nova crise, avisa antigo governador do Banco de Inglaterra

Mundo

Mervyn King

Pier Marco Tacca/ Getty Images

As crises do passado geraram novas formas de pensar e reformas mas nada mudou desde a crise de 2008, avisa Mervyn King, que não duvida que caminhamos para uma nova com "consequências devastadoras"

Mervyn King, que esteve à frente do Banco de Inglaterra entre 2003 e 2013 e apanhou em cheio a crise do subprime, que começou em 2007 nos Estados Unidos e rapidamente alastrou por toda a Europa, acredita que a economia mundial está a caminhar rumo a nova crise que terá "consequências devastadoras".

Para o ex-responsável, a resistência a novas formas de pensamento significa que uma repetição do caos que se instalou em 2008/2009 está iminente.

Numa palestra que proferiu,em Washington, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional, Mervyn King lamenta que não tenha ainda havido um questionamento das ideias que levaram a essa crise.

"Outra crise económica e financeira seria devastadora para a legitimidade de um sistema de mercado democrático", afirmou. "Ao nos agarrarmos à nova ortodoxia da política monetária e ao fingirmos que tornámos o sistema bancário seguro, estamos a caminhar como sonâmbulos em direção a essa crise."

"Houve um excesso de investimento em algumas partes da economia - o setor das exportações na China e na Alemanha e a propriedade comercial noutras economias avançadas, por exemplo - e insuficiente noutras - investimento nas infraestruturas em muitos países ocidentais", explica, acrescentando que é preciso mudar as políticas de forma mais global e não um simples estímulo monetário.

"É a falha em enfrentar a necessidade de ação em muitas frentes políticas que levou à estagnação da procura na última década", diz.