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Um petroleiro abandonado no Iémen está em risco de explodir e criar um dos maiores derrames de crude do mundo

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Um petroleiro abandonado com mais de 1 milhão de barris de petróleo a bordo encontra-se em risco de explodir na costa do Iémen, podendo causar um dos maiores derrames de crude da história, segundo a ONU

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Segundo a organização, os rebeldes Houthis, que controlam o terminal marítimo de Ras Isa do Mar Vermelho, onde o petroleiro se encontra ancorado, negaram novamente o acesso de uma equipa técnica da ONU ao navio.

Graças à acumulação de gases voláteis do petróleo a bordo e à corrosão causada pela água do mar, o navio poderá explodir num futuro próximo e libertar o conteúdo de mais de 1 milhão de barris de crude para o mar. A ONU aponta a falta de manutenção do petroleiro como a principal causa da possível catástrofe. Os especialistas consideram o navio uma “bomba relógio”, capaz de, a qualquer momento, desencadear umacatástrofe ambiental”.

Russell Geekie, um porta-voz do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, contou ao Independent que, relativamente à intervenção da ONU, “as autorizações ainda estão pendentes e a ser discutidas. A ONU está pronta para enviar uma equipa técnica assim que as autorizações necessárias forem emitidas”.

Mark Lowcock, secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários das Nações Unidas já tinha dito ao Comité de Segurança da organização na passada quinta-feira, 18, que "a equipa de avaliação da ONU tinha planeado aceder ao petroleiro na semana que vem, mas as autorizações necessárias continuam pendentes por parte das autoridades (Houthi)”, apesar de terem sido os próprios a requisitar a ajuda das Nações Unidas. Estima-se que os Houthis estejam a tentar negociar o acesso ao lucro do petróleo presente na embarcação antes de garantir acesso ao mesmo ou deixar que este seja rebocado para fora do território.

Os especialistas acreditam que o navio precisa de manutenção “urgente” e “constante” e que, para prevenir a catástrofe, devem ser injetados gases inertes nas câmaras de armazenamento do petróleo, de modo a parar a acumulação de gases voláteis. Ian Ralby, um especialista em segurança marítima que fez parte da equipa que investigou a situação do petroleiro, acredita que o petroleiro não é revisto desde março de 2015, época em que se deu início a guerra civil no Iémen e o terminal marítimo fechou. O especialista relata ainda que, em abril deste ano, começaram a soltar-se pedaços do navio corroídos pela água do mar.

O navio encontra-se ligado ao oleoduto de Marib, que contém uns adicionais 1,14 milhões de barris de petróleo que também podem vir a ser afetados pela explosão, totalizando no derrame de mais de 2 milhões de barris para o Mar Vermelho. Caso se dê a explosão do petroleiro, a mancha de petróleo resultante poderá estender-se por todo mar, afetando também as costas saudita, sudanesa e egípcia. Segundo Ralby, este derrame seria suficiente para “matar todos os corais do Mar Vermelho”.

O Iémen encontra-se em guerra civil desde 2015 e a, segundo o especialista em segurança marítima, uma intervenção prematura no território poderia abrandar o tráfego comercial marítimo vindo do canal de Bab al-Mandeb para o canal de Suez – uma das zonas marítimas mais movimentadas do mundo – e causar “uma tragédia para a economia global”.