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“Negligência e maus tratos” - como uma bebé de 18 meses perdeu a vida a imigrar para os Estados Unidos

Mundo

Zach Gibson/ Getty Images

Yazmin Juaréz tem 20 anos e nasceu na Guatemala. No ano passado, tentou entrar, com a sua filha, nos Estados Unidos, à procura de melhores condições de vida. Acabou por ver a filha morrer com uma infeção respiratória contraída nos centros de detenção de imigrantes. Eis a história que hoje quer ver divulgada para que mais nenhum bebé tenha o mesmo destino

“Fizemos esta viagem porque temia pela nossas vidas na Guatemala. A viagem era perigosa, mas eu tinha mais medo do que nos poderia acontecer se ficássemos. Então, viemos para a América, onde esperava construir uma vida melhor e mais segura para nós. Isso não aconteceu. Em vez disso, vi a minha filha morrer – lenta e dolorosamente – alguns meses antes do seu segundo aniversário”. Assim começou o discurso de Yazmin Juaréz perante a Comissão dos Direitos e Liberdades Civis do congresso.

A jovem guatemaleca tem 20 anos e viajou no ano passado para os Estados Unidos. Na semana passada, relatou a sua experiência, que terminou com a morte da filha de 18 meses, com o intuito de alertar para as más condições com que os imigrantes são tratados no processo de entrada nos EUA.

Ao chegar a território americano, Yazmin e a sua filha Mariee foram enviadas para as instalações da CBP (Customs and Borders Protection) onde ficaram três dias retidas: “Estivemos trancadas numa cela com mais 20 pessoas, incluindo crianças, e fomos forçadas a dormir no chão.”

No quarto dia, mãe e filha foram transferidas para um centro de detenção no Texas. Até então, a bebé Mariee estava saudável e não apresentava qualquer problema ou mal-estar, ao contrário das outras crianças que viriam a encontrar viver na mesma sala no centro de detenção. Não passaram muitos dias até Mariee começar a mostrar os primeiros sintomas.

Yazmin relata as várias vezes que se dirigiu com a bebé à única clínica disponível: “Descobri que a clínica só estava aberta às vezes, então se fosses à hora de fechar, eles mandavam-te embora sem te ver e diziam-te para voltares noutro dia”..Os medicamentos e tratamentos aplicados pelos enfermeiros que viram a bebé durante aqueles dias revelaram-se inúteis e Mariee piorava de dia para dia.

Finalmente, Yazmin conseguiu que a filha fosse vista por um médico que lhe receitou alguns medicamentos, incluindo Vicks VapoRub. “Eu só percebi depois de a minha filha morrer que não é suposto dar Vicks VapoRub a crianças com menos de dois anos, porque lhes pode causar problemas respiratórios”, disse.

Antes que pudesse ir a uma nova consulta com outro médico, Yazmin e Mariee foram chamadas para partir para Nova Jérsia, a cidade onde morava a mãe de Yazmin. Os registos que traziam do Texas não davam conta da doença de Mariee. Uma vez em Nova Jérsia, a família dirigiu-se logo a um pediatra que enviou a bebé para as urgências de uma unidade hospitalar. Foi-lhe finalmente diagnosticada uma infenção respiratória.

“Ela estava ligada a tantos tubos que eu nem conseguia segurá-la para a consolar quando ela chorava” relata Yazmin. Mariee morreu a 10 de maio de 2018.

Pode ler o discurso inteiro (em inglês), perante o congresso nesta notícia da Time.