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Como foi resolvido um caso de homicídio com mais de 33 mil anos

Mundo

Elena F. Kranioti Dan Grigorescu Katerina Harvati

Ocorreu numa caverna da Transilvânia, na Roménia, há cerca de 33 mil anos, e a ciência descobriu na passada quarta-feira como tudo se desenrolou: a vítima foi golpeada na cabeça duas vezes em rápida sucessão por um assassino esquerdino

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Um homem do Paleolítico foi agredido até à morte numa gruta na Transilvânia, sugere a análise feita aos seus restos mortais com 33 mil anos. A vítima recebeu dois golpes rápidos na cabeça e estava virada para o agressor no momento em que caiu para o chão, defendem os investigadores. Mais, a análise aponta para a probabilidade de o homicida ser esquerdino e ter usado um “objeto em forma de taco” para cometer o crime.

O fóssil em questão é um crânio de um homem adulto do período Paleolítico. Conhecido como Cioclovina calvaria, é um dos mais bem conservados fósseis dos primeiros Homens europeus modernos. Foi encontrado por mineiros de fosfato em 1941, na caverna de Pestera Cioclovina, na Roménia. Já o corpo do homem nunca foi encontrado.

O fóssil está guardado no laboratório de paleontologia da Universidade de Bucareste e, desde que foi descoberto, já foi alvo de vários estudos intensivos. Ainda assim, a fonte do trauma presente nos ossos nunca foi descoberta. Agora, um estudo internacional liderado pela Universidade de Tubinga, na Alemanha, acredita ter finalmente desvendado o caso.

“Os resultados do nosso estudo sugerem fortemente que as fraturas do [fóssil[ Cioclovina representam provas irrefutáveis de violência interpessoal fatal entre os humanos europeus modernos primordiais, do Paleolítico Superior”, escreveu a equipa.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas simularam a reação de uma esfera de osso sintético ao ser atingida por vários objetos de diferentes formas, a várias altitudes e com diferentes níveis de força. Analisaram os resultados a olho nu e através de tomografias.

“O fragmento craniano apresenta uma depressão feita de fora para dentro em forma semicircular, com um raio de aproximadamente 35,2mm. Esta forma só pode ser produzida por um objeto arredondado, como um taco”, concluíram. Visto o corpo do homem nunca ter sido encontrado, é impossível saber se sofreu quaisquer outros danos.

O estudo veio comprovar que no período do Paleolítico, considerado um período de crescente complexidade cultural e evolução tecnológica, os primeiros humanos já tinham comportamentos violentos entre si, incluindo o homicídio.