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Angela Merkel tremeu muito durante a visita oficial do Presidente ucraniano e pôs a Internet a especular. O que pode estar por detrás disto?

Mundo

Sean Gallup

A chanceler alemã garantiu à imprensa que os visíveis tremores tinham sido provocados pela falta de hidratação, consequente dos quase 30 graus desse dia. Um especialista de medicina interna explicou à VISÃO os possíveis problemas de saúde que podem justificar o que aconteceu a Angela Merkel

Aconteceu na última terça-feira e preocupou quem assistia ao encontro: Angela Merkel tremeu de forma descontrolada no início da visita do novo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a Berlim.

Enquanto se ouviam os hinos nacionais dos dois países, a chanceler alemã começou a tremer em todo o corpo e, apesar de se ter tentado controlar, o episódio não passou despercebido. Quando a banda parou de tocar, Merkel melhorou e dirigiu-se rapidamente para o interior da Chancelaria.

Mais tarde, referiu, em conferência de imprensa, que os 28 graus desse dia exigiam uma melhor hidratação, garantindo que aquilo se deveu a falta de água. Desde há pouco bebi pelo menos três copos de água, que aparentemente precisava. E agora estou a sentir-me muito bem”, contou aos jornalistas.

"Aceito a hipótese de desidratação e de uma hipoglicémia, ou seja, uma baixa de açúcar no sangue, associadas a uma posição ortostática - em pé - e à temperatura elevada", explica à VISÃO Almeida Nunes, especialista de medicina interna no Hospital Lusíadas, em Lisboa.

O médico refere que a falta de ingestão de alimentos e líquidos pode justificar a aparente rápida recuperação da chanceler alemã. E descarta a possibilidade de se tratar de Parkinson. "Esta doença neurológica não se carateriza por um tremor agudo, mas sim por um tremor crónico, menos evidente e menos generalizado", refere Almeida Nunes.

Por outro lado, o especialista sugere a possibilidade de Angela Merkel ter diabetes ou, pelo menos, pré-diabates. "Nas pessoas com excesso de peso, a hormona insulina, que é produzida pelo pâncreas e responsável pela boa utilização dos hidratos de carbono que ingerimos na alimentação, não é suficiente", explica o médico.

Essa resistência à insulina leva à produção de mais insulina, numa tentativa de o organismo compensar a ineficácia dessa hormona. De acordo com Almeida Nunes, esse fenómeno pode levar ao aparecimento de episódios de hipoglicémia, com tendência para tremores, sudação abundante e até perda de conhecimento.

"A chanceler alemã tem, claramente, excesso ponderal, e pode ter sofrido um destes episódios de hipoglicémia, daí ser necessário, a meu ver, realizar exames para se excluir a presença de diabetes ou pré-diabetes", esclarece o médico.

Além disso, devido aos sintomas apresentados por Angela Merkel, e embora tenham sido passageiros, o especialista defende haver necessidade de se realizar uma TAC, já que, "no limite", os tremores podem sugerir que existe uma lesão cerebral, como um tumor ou um aneurisma.

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