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A vida de Assange na Embaixada do Equador em Londres que levou o país a desistir dele

Mundo

Imagens agora divulgadas mostram como se comportava o fundador da Wikileaks na embaixada equatoriana em Londres. Falta de higiene e agressões aos funcionários foram alguns dos comportamentos que fizeram com que Assange perdesse o estatuto de asilado político

Na quinta-feira passada, Julian Assange foi detido pela polícia britânica no interior da embaixada do Equador em Londres, onde se encontrava há sete anos. A polícia indicou que executou um mandado de detenção emitido em 2012 após o Equador ter retirado o direito de asilo ao australiano de 47 anos.

Durante esse tempo, foi uma empresa de segurança de Cádiz, Espanha, que esteve a proteger o local onde o fundador do Wikileaks viveu e, agora, o jornal espanhol El País divulgou imagens captadas pelas câmaras de vigilância da embaixada e testemunhos de seguranças que revelam vários momentos de tensão e violência dentro da embaixada.

Num dos momentos, Julian Assange está a andar de skate em calções e t-shirt, e noutro pode ver-se um conjunto de pessoas que o fundador da Wikileaks convidou para uma reunião durante o fim-de-semana dentro da embaixada, contra as regras dos funcionários da missão diplomática. Nesse momento, foi pedido o auxílio da polícia pelos seguranças e Assange decidiu tentar filmar o momento.

Só quando o embaixador chegou, já de madrugada, é que os ânimos acalmaram e os convidados de Assange saíram. A relação do fundador do Wikileaks com a equipa de segurança foi-se deteriorando com o passar do tempo, com discussões e várias agressões físicas e verbais. Muitas vezes, Assange andava na embaixada sem roupa e passava vários dias sem tomar banho, de acordo com os testemunhos.

Além disso, de acordo com a Associated Press, Julian Assange decidiu espalhar as suas fezes numa das paredes da embaixada, o que contribuiu ainda mais para a perda do estatuto de asilado político.

A sua falta de cuidado fez com que o fundador ficasse com vários problemas dentários, sendo que foi o governo equatoriano que sustentou todas essas despesas.

Na realidade, o Equador despendeu cerca de um milhão de dólares por ano com as despesas de Julian Assange, que se refugiou na embaixada equatoriana na capital britânica em 2012 para evitar a sua extradição para a Suécia, que solicitou que o fundador do Wikileaks se entregasse por supostos crimes sexuais, um processo que entretanto prescreveu.

Assange recusou entregar-se às autoridades britânicas por receio de ser extraditado para os Estados Unidos, onde poderia enfrentar acusações de espionagem puníveis com prisão perpétua.

No dia da detenção de Julian Assange, Lenín Moreno, Presidente do Equador, publicou um vídeo na sua conta de Twitter, onde explicou que o país tinha decidido retirar o asilo diplomático a Julian Assange "por violar reiteradamente convenções internacionais e o protocolo de convivência”.

"Hoje, anuncio que a conduta desrespeitosa e agressiva do senhor Julian Assange, as declarações hostis e ameaçadoras da sua organização aliada contra o Equador e, sobretudo, a transgressão das convenções internacionais geraram uma situação a um ponto em que o asilo do senhor Assange é insustentável e inviável. O Equador, soberanamente, dá por finalizado o asilo diplomático outorgado ao senhor Assange em 2012”, referiu o presidente.

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, que acedeu ao pedido de asilo feito por Assange em 2012, criticou a decisão, referindo que o presidente "revelou ao mundo a sua miséria, entregando não só um asilado, como também um cidadão equatoriano, à polícia britânica", colocando em risco a sua vida e humilhando o Equador.

Assange está, agora, a ser acusado de crimes em três países. No Reino Unido, por não comparecer em tribunal depois de as autoridades britânicas o terem intimado e na Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. Nos EUA, é acusado de conspiração depois de, em 2010, o Wikileaks ter divulgado mais de 90 mil documentos confidenciais relacionados com ações militares dos EUA no Afeganistão e cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra no Iraque. Naquele mesmo ano, foram tornados públicos cerca de 250 mil telegramas diplomáticos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que embaraçou Washington.

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