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O melhor professor do mundo é um monge que doa quase todo o ordenado a famílias pobres

Mundo

Suleiman Mbatiah/Getty Images

Peter Tabichi distribui 80% do seu salário pelos alunos carenciados para que possam comprar livros e material escolar

"Tenho visto o que prometem os jovens africanos - a sua curiosidade, o seu talento, a sua inteligência, as suas crenças. Eles não irão continuar a ser preteridos devido a baixas expetativas. África vai produzir cientistas, engenheiros, empresários, cujos nomes serão um dia famosos em todos os cantos do mundo. E as raparigas serão uma enorme parte desta história."

Foi com este discurso inspirador que o monge franciscano Peter Tabichi, 36 anos, recebeu o Prémio Professor Global 2019, numa cerimónia no Dubai. O professor de ciência de uma escola secundária da vila de Pwani, no Vale do Rift, em plena savana queniana, doa 80% do seu ordenado aos alunos mais pobres - muitos deles órfãos -, dando-lhes assim uma ajuda fundamental para comprarem livros, uniformes escolares e outro material.

O professor, no entanto, fez questão de frisar que o mais importante não é o dinheiro que distribui, mas sim o trabalho de muitos que, como ele, trabalham em condições difíceis para tirar o melhor dos jovens e lhes garantir uma pequena oportunidade na vida: as aulas são dadas a turmas de 70 ou 80 alunos, miúdos que, muitas vezes, têm de caminhar vários quilómetros para chegar à escola. Aliás, boa parte do seu trabalho é visitar as famílias com menos meios de subsistência, com crianças em risco de desistirem das aulas, para as tentar convencer do valor da educação. Outra das suas preocupações é tentar que as meninas continuem na escola, em vez de se casarem cedo, como é tradição nas aldeias do Quénia.

"Está a amanhecer em África", disse o Irmão Peter, na cerimónia. "Os céus estão limpos. O dia é jovem e há uma página em branco para ser escrita. Esta é a hora de África."

Além do reconhecimento, o Prémio Professor Global, que este ano contou com uma lista de dez mil nomeados de 179 países, inclui uma recompensa de um milhão de dólares (€884 mil).