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Moçambique: 40 mil pessoas salvas, 93 mil afetadas

Mundo

ADRIEN BARBIER/ Getty Images

Dados preliminares do Instituto Nacional de Gestão de Catástrofes revelam que ainda há zonas em risco de alerta muito elevado.

Um documento do Instituto Nacional de Gestão de Catástrofes de Moçambique (INGC), a que a Visão teve acesso, aponta para 92 561 pessoas afetadas pelo ciclone Idai e consequentes cheias na região. Há registo oficial de 1 416 feridos e 202 óbitos, embora o presidente Filipe Nyusi já tenha reiterado que acredita que o número de mortos deva ser bastante mais elevado.

O INGC revela ainda que há 36 053 pessoas em 96 centros de acolhimento provisório a receber ajuda humanitária. No entanto, o número de habitantes em risco, nas províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia aproxima-se da centena de milhar.

Até agora, lê-se no mesmo documento, as autoridades já registaram 616 salas de aulas destruídas e mais de 14 mil alunos afetados. Deverão ter-se perdido mais de 270 mil hectares de culturas, o que poderá também por em causa a sobrevivência destas famílias assim que o pior passar. Mais de 11 mil habitações ficaram totalmente destruídas e outras quatro mil foram afetadas, e estão sob risco, impedindo os habitantes de lá voltar. Para além destas, este órgão oficial dá ainda conta de que mais de duas mil casas foram completamente inundadas. As cheias nos rios Buzi e Pungue agravaram a situação em cidades que já se encontravam submersas e cujo caudal de água continuou a subir.

Recorde-se que o centro de Moçambique foi afetado pelo ciclone Idai no passado domingo, o que provocou ventos e chuvas fortes, e consequentemente fortes cheias numa região que já sofre com a ausência de infraestruturas resistentes. As previsões meteorológicas apontam para que a chuva só dê tréguas a partir desta quinta-feira, mas para já a situação mais grave está circunscrita às quatro províncias referidas acima.

Amanhã segue de Maputo um navio com bens de primeira necessidade, rumo ao porto da Beira, uma das cidades mais afetadas. Várias equipas de resgate e apoio internacionais, nomeadamente uma comitiva portuguesa com elementos da Proteção Civil e do INEM, estão já no terreno, numa altura em que as comunicações com a região são particularmente difíceis – os telefones tocam mas é impossível atender chamadas, a Internet é intermitente e as falhas de energia constante, notam alguns dos habitantes de Moçambique com quem a Visão conseguiu falar.

Este é já apontado pelas autoridades internacionais como o maior desastre natural do Hemisfério Sul, com consequências ainda inimagináveis. Esta manhã começaram a circular rumores de que o Zimbabué, outro dos países afetados pelo ciclone Idai, poderia abrir as comportas das suas barragens, o que está a preocupar autoridades e especialistas, que temem uma nova enxurrada numa região já profundamente devastada.

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