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BREXIT: Parlamento volta a chumbar acordo de May

Mundo

Esta quarta-feira, 13, será a possibilidade de uma saída sem acordo. A União Europeia fez saber que, em caso de aprovação dessa solução, impactos na economia podem ser severos.

Os deputados britânicos chumbaram a proposta melhorada de acordo para sair da União Europeia por 391 votos contra e 242 a favor. Foi a segunda vez que Theresa May levou a votos uma proposta negociada com as autoridades europeias, e a segunda vez que foi rejeitada na Câmara dos Comuns. Na primeira votação, May teve que lidar com uma derrota histórica. Na ocasião, a proposta foi chumbada por 432 votos contra 202.

O chamado 'backstop', para evitar a criação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, continuou a ser um dos principais entraves ao apoio à solução acordada por May. E nem as garantias da primeira-ministra de que seriam introduzidas alterações suficentes para garantir que o 'backstop' vigoraria por tempo indefenido convenceram os deputados, que têm demasiado vívido na memória a perda de milhares de vidas no conflito que só terminaria com o acordo de paz assinado em 1998, entre os dois territórios.

"Estou chocada", afirmou a líder britânica aquando do anúncio do resultado da votação. "Continuo a acreditar que a melhor solução é um acordo. E o acordo que negociámos é o melhor e, na verdade, o único possível", afirmou uma Theresa May rouca e de semblante carregado entre apupos. "Amanhã votaremos a possibilidade de uma saída sem acordo", confirmou a primeira-ministra.

Michel Barnier, negociador chefe da UE para o Brexit, avisou esta terça-feira, que com uma saída sem acordo não haverá período de transição que ajude a suavizar os impactos na economia britânica.

O líder da oposição, Jeremy Corbin, aproveitou a palavra para se mostrar contra uma saída desordenada e para atacar a líder conservadora, afirmando que esta foi uma "perda colossal" para a sua autoridade. "Sabemos bem os riscos que uma saída desordenada trarão para a economia do Reino Unido", afirmou Jeremy Corbin pedindo que amanhã os deputados tenham isso em consideração. "O relógio está a contar, e está a contar para si também", atirou a May em jeito de ameaça. "Talvez seja hora de convocar eleições gerais para que os cidadãos decidem quem querem a liderar os destinos do país". O responsável voltou também a dar forma à vontade de realizar um novo referendo.

A exatos 17 dias da data oficial de saída do Reino Unido da UE (29 de março),Barnier reagiu com pessimismo a estes resultados : "A União Europeia fez todos os possíveis para conseguir um acordo. O impasse só pode ser resolvido no Reino Unido. Prepararmo-nos para um "não-acordo" é agora mais importante que nunca", lê-se na conta oficial do responsável.