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Já há rádios a tirar a música de Michael Jackson das suas playlists por causa do documentário que o acusa de pedofilia

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O cantor que acabou ilibado nos processos que decorreram contra ele no início dos anos 1990 volta agora a ser acusado de ter abusado sexualmente das crianças que levava à sua casa

Pool/Getty Images

Chama-se Leaving Neverland (qualquer coisa como Saindo da Terra do Nunca, o nome do rancho que o cantor tinha na Califórnia) e conta a versão da história de dois rapazes que privaram – demasiado... – com Michael Jackson. Os efeitos não se fizeram esperar

“Quero poder dizer a verdade tão alto como disse mentiras durante tanto tempo”, declara Wade Robson, hoje com 40 anos. “Ele disse-me que se alguém descobrisse o que estávamos a fazer íamos para a prisão, ele e eu, para o resto da vida”, sublinha James Safechuck, 36. Os dois protagonizam o controverso documentário que esta sexta-feira, 8, se estreia na televisão portuguesa – e está a provocar abalos por todo o planeta, desde que, em janeiro, a plataforma de streaming HBO o apresentou publicamente no Festival Sundance.

“Estamos a falar de uma época em que toda a gente o queria conhecer. E ele gostava de nós”, justificam os dois que à época dos abusos eram dois rapazinhos de 7 e 11 anos e passavam dias e dias no rancho do cantor aliciados pelas mais diversas aventuras experiências mágicas ligadas à infância: jogar à apanhada, comer todas as guloseimas possíveis, andar de carrocel horas seguidas...

O filme (o trailer está disponível online) faz um resumo destes dias e conta ainda a versão das suas famílias - para quem tudo aquilo era um sonho, sem maldade. E como não acreditaram nas primeiras acusações de pedofilia ao cantor.

"Para nós, os que o acusavam só queriam era dinheiro", diz Joy, a mãe de Wade Robson. Só muito mais tarde saberia que o seu filho, que chegou a testemunhar no processo contra Jackson há 25 anos negando quaisquer abusos, também era uma vítima. "Ele dizia que aquela era a forma de demonstrarmos o nosso amor".

O relato de Safechuck não é muito diferente: "sem pressa, ele começa por conquistar a confiança das nossas famílias. Só depois me ensinou como me masturbar. Ou a beijar com língua... Chegou até a simular uma cerimónia de casamento entre nós os dois".

Para a família do cantor, que por duas vezes foi indiciado por pedofilia, sendo ilibado nos dois casos, o que o filme está a fazer é "um assassinato ao género dos tablóides". E recusando que a obra tenha qualquer valor documental, já fez saber que vai processar a HBO. Em causa estará um contrato assinado em 1992 entre Michael Jackson e a HBO em que esta se comprometia em não mostrar conteúdos prejudiciais ao cantor.

Mas para Dan Reed, o realizador deste Leaving Neverland, a família está só com receio de perder dinheiro. Um medo que pode não ser assim tão insignificante: para já, tanto na Nova Zelândia como no Canadá, já há rádios que tiraram a música de Michael Jackson das suas playlists. A última foi a BBC Radio 2. E a lista não deve ficar por aqui.

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