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Há cada vez mais ataques com facas no Reino Unido e as autoridades (e a população) estão alarmadas

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O tributo ao mais recente caso de esfaqueamento mortal com facas no Reino Unido: já se fala numa epidemia

Jack Taylor/Getty Images

Nos últimos dias, morreram mais três adolescentes à facada. Ao todo, já são dez, só em 2019

"O meu dia começa sempre com uma atualização dos ataques que houve com facas, na minha zona, à minha família", conta uma utilizadora do Twitter que se identifica como Kika, jovem de Braga a viver em Londres. Segundo os últimos acontecimentos, há razões de sobra para tanta preocupação.

Na sexta-feira passada, foi Jodie, 17 anos. Estava com os amigos perto de um parque infantil, em Harold Hill, no leste de Londres, quando foi abordada por dois homens e apunhalada pelas costas: não trocaram nem uma palavra. Uma hora depois, a rapariga era declarada morta.

No dia seguinte, foi a vez de Yousef Makki, em Hale Barnes, nos arredores de Manchester. Yousef, que também tinha 17 anos, era um talentoso estudante que ganhara uma bolsa para frequentar o Secundário e sonhava ser médico. Pouco antes de ser esfaqueado, telefonara para casa a avisar que chegaria por volta do lanche, deixando os pais descansados. Mas depois quem lhes bateu à porta, ao fim do dia, foi a polícia. E não levava boas notícias.

Esta quarta-feira, um jovem que a polícia acredita ter vinte e poucos anos foi igualmente esfaqueado até à morte em Leyton, também na zona leste da capital britânica.

São os mais recentes casos de uma lista que já alcançou a dezena de adolescentes mortos no Reino Unido desde o início do ano. O mais novo tinha 14 anos, o mais velho 19. Somando jovens e adultos, ao todo este 2019 contabiliza já 19 mortos, só na zona de Londres. Para as autoridades, não parece haver dúvidas de que se está perante uma "epidemia" de ataques à faca.

“Uma emergência nacional”, salientam os chefes da polícia, citados pela BBC. As razões para este crescendo não são claras. Embora a primeira-ministra britânica, Theresa May, já tenha recusado qualquer ligação aos cortes orçamentais da polícia, para Cressida Dick, comissária da polícia metropolitana de Londres, não há dúvidas sobre isso. "Com menos vigilância, há sempre aumento da criminalidade", sustenta.

Mas tal como se fala nos cortes na polícia, há quem acrescente que também houve reduções nos orçamentos escolares, empurrando muitos jovens para fora do ensino.

Há ainda quem insista em todo um clima de falta de estabilidade que se instalou no país - como apontou Sadiq Khan, o mayor de Londres, que fez questão de acrescentar que são já aos milhares as pessoas que perderam os seus empregos, nos últimos tempos. “E não foi só aqui: foi em Cardiff, em Birmingham, em Manchester...”

Feitas as contas dos últimos anos, os números não são nada animadores: segundo um gráfico apresentado pelo The Guardian, os casos de ataques com facas subiram de 25 mil para 40 mil.

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