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Diferendos sobre as sanções ditam falhanço de cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un

Mundo

SAUL LOEB/ Getty Images

A cimeira entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano terminou sem acordo devido ao impasse sobre as sanções e a reticência de Kim Jong-un em abdicar totalmente do programa nuclear

"Existe ainda uma lacuna" entre o desejo de ambas as partes e, por isso, "temos que manter as sanções", afirmou Donald Trump, numa conferência de imprensa, após a cimeira em Hanói ter terminado sem um acordo.

"Eles queriam que as sanções fossem levantadas na totalidade e nós não podemos fazer isso", detalhou Trump, acrescentando que prefere "assinar um bom acordo do que fazê-lo 'a correr'".

Trump deixou a capital vietnamita depois de a cimeira terminar mais cedo do que o previsto.

"Às vezes tens que te levantar e ir embora e, desta vez, foi isso que aconteceu", disse.

O presidente dos EUA revelou que Kim se ofereceu para desmantelar algumas partes da sua infraestrutura nuclear, incluindo o complexo nuclear de Yongbyon, mas que não estava preparado para abdicar de outras partes do programa, incluindo as usinas para produção de urânio.

"Eles estavam dispostos a desmantelar parte das áreas, mas não podíamos desistir de todas as sanções", afirmou.

Trump disse ainda que não há planos para uma terceira cimeira, mas que Kim lhe garantiu que a Coreia do Norte não vai realizar testes nucleares e com mísseis balísticos.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse, no entanto, que "estão hoje mais próximos de um acordo do que há 36 horas".

Em comunicado, a secretária de Imprensa da Casa Branca afirmou que os "dois líderes discutiram várias formas de avançar na desnuclearização e questões económicas", mas que "nenhum acordo foi alcançado desta vez" e que as delegações esperam voltar a reunir no futuro".

Num encontro com os jornalistas antes das negociações arrancarem, Trump baixou as expectativas, afirmando que não "tem pressa" para que se chegue a um acordo.

Kim Jong-un afirmou que, "se não estivesse disposto" à desnuclearização, não estaria hoje em Hanói.

A Coreia do Norte sofreu já décadas de isolamento e pobreza extrema, incluindo períodos de fome que causaram milhões de mortos, mas não abdicou de desenvolver um programa nuclear como garantia de sobrevivência do regime.

Trump tentou seduzir, em Hanói, o regime norte-coreano com boas perspetivas económicas caso aceite a desnuclearização e se insira na comunidade internacional.

Coreia do Norte e Vietname partilham décadas de amizade e, em teoria, continuam a ser aliados ideológicos, mas as reformas económicas e integração na comunidade internacional lançados por Hanói impulsionaram o desenvolvimento económico do país.