Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Facebook é denominado "gangster digital" e acusado de pôr democracia em risco em relatório britânico

Mundo

Getty Images

Depois de uma investigação de 18 meses sobre fake news e desinformação realizada pelo parlamento britânico, o Facebook foi acusado de violação de dados e das leis da concorrência

O relatório final de uma investigação conduzida pelo parlamento britânico sobre fake news e desinformação conclui que o Facebook age como um "gangster digital", pensando até estar à margem da lei.

O documento de 110 páginas, publicado esta segunda-feira, inclui 73 testemunhas que responderam a mais de 4300 questões, acusando o Facebook de violação tanto da privacidade dos dados como das leis da concorrência, de uma forma forma consciente e intencional.

A investigação, realizada ao longo de 18 meses pela comissão Digital, Cultura, Média e Desporto, descobriu que a rede social faz constantemente declarações que não são verdadeiras e que o seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg, tem seguido uma estratégia "deliberada" para "enganar" o parlamento, ao ignorar três pedidos para fazer o seu depoimento.

"Mark Zuckerberg falha completamente ao não mostrar sentido de liderança e responsabilidade pessoal que se esperavam de alguém que está no topo de uma das maiores empresas mundiais", diz o relatório.

Este assunto ganhou fogo com o escândalo da Cambridge Analítica, depois de ser revelado que uma empresa vendeu perfis de vários utilizadores do Facebook a políticos, para que a manipulação fosse mais eficaz.

O relatório afirma que o escândalo aconteceu devido às politicas do Facebook, já que a rede social não respeitou o acordo com os reguladores dos Estados Unidos para limitar o acesso aos dados dos utilizadores.

A empresa é também acusada de continuar a "preferir o lucro à segurança de dados, assumindo esse risco com a finalidade de ganhar dinheiro com os dados dos seus utilizadores". "E parece claro que só toma medidas quando essas violações sérias se tornam públicas", sublinha o relatório.

Além disso, refere que o Facebook utiliza o seu domínio no mercado para afastar os rivais e impedir a competição. "Empresas como o Facebook não devem comportar-se como gangsters digitais no mundo online", lê-se no relatório.

Ao The Guardian, o presidente da comissão, Damian Collins, garantiu que a "democracia está em risco devido ao alvo malicioso e implacável" que atinge "cidadãos com desinformação e anúncios obscuros personalizados de fontes não identificáveis, recebidos através das principais redes sociais que usamos todos os dias”.

O relatório afirma que a lei eleitoral britânica está desatualizada e é vulnerável à interferência de agentes estrangeiros, incluindo agentes do governo russo com o objetivo de desacreditar a democracia. "São necessárias reformas para que os princípios de transparência das comunicações políticas sejam aplicados nas plataformas online e não só", lê-se.

Tom Watson, vice-líder do partido trabalhista, concordou com as conclusões do documento e referiu que existe a necessidade de "criação de uma nova regulamentação com sanções duras para combater os excessos de vigilância do capitalismo e as forças que tentam usar a tecnologia para subverter a democracia".

Além disso, a comissão sugere o desenvolvimento de um código de ética geral, supervisionado por um regulador independente e que exigiria que este tipo de empressas removessem "conteúdo prejudicial" e fossem penalizadas pelas suas irregularidades.

O documento apela ao governo britânico que crie uma investigação independente para examinar a "influência estrangeira, desinformação, financiamento, manipulação dos eleitores e partilha de dados" no referendo sobre a independência da Escócia em 2014, no referendo sobre a União Europeia em 2016 e nas eleições de 2017.