Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Um beijo para a história: Papa Francisco e Grande Imã selam compromisso contra o extremismo  

Mundo

Há sete anos, um Papa a beijar um Imã era algo do reino da imaginação - no caso, fazia parte de uma campanha da Benetton. Agora, foi a sério

Twitter

São líderes de duas das mais importantes religiões do mundo e fizeram um pacto com a assinatura de um documento e um beijo na bochecha. Além disso, foi a primeira vez que um Papa entrou na Península Arábica

Há sete anos, o beijo assim, entre o papa e o imã, não acontecera a sério. Era uma ficção da marca de roupa italiana Benetton, conhecida pelo seu historial de cartazes polémicos. Dessa vez, a campanha publicitária distribuíra por todo o mundo o então Papa Bento XVI a beijar um imã na boca. A controvérsia não demorou e os cartazes foram retirados. Mas agora é para valer.

Além de não ser uma publicidade criativa, passou já para a história especialmente porque o gesto ocorreu na Península Arábica, berço do Islão e terra que nenhum outro papa tocou antes.

Foi no domingo que o sumo pontífice chegou, convidado a partipar na conferência “Fraternidade da Humanidade”, que reuniu 700 representantes de diferentes religiões naquele território que se orgulha de ter uma variedade de crenças a viver pacificamente. No dia seguinte, Francisco reunia-se com então com o imã Sheikh Ahmed al-Tayeb, com o qual assinou este acordo da paz e respeito mútuo.

"Declaramos firmemente que as religiões não devem incitar à guerra, atitudes de ódio, hostilidade e extremismo, nem qualquer tipo de violência ou derramamento de sangue. Essas trágicas realidades são consequência de um desvio dos ensinamentos religiosos ", consignou-se na declaração que foi selada com o tal beijo entre os dois líderes.

"As boas relações entre o Oriente e o Ocidente são indiscutivelmente necessárias para ambos. Eles não devem ser negligenciados, para que cada um possa enriquecer com a cultura do outro através de uma troca frutífera e de um diálogo ".

Às críticas por ter acedido a visitar um país aliado do governo do Iémen, onde a guerra provocou uma tragédia humanitária (segundo as Nações Unidas, há dez milhões de pessoas em fraqueza extrema por falta de alimentação”, o Papanão perdeu a oportunidade de responder à letra: “todos os líderes religiosos têm o dever de rejeitar todas as nuances da guerra. Estou a pensar na Síria, na Líbia, no Iémen...”

Esta terça-feira, 5, Francisco celebra uma missa ao ar livre para 135 mil pessoas, entre os milhões de católicos residentes no país muçulmano, o maior encontro público que acontece neste estado do Golfo Pérsico.