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Reconstituição dos "58 minutos de caos" na escola de Parkland deixa perceber falhas graves na reação das autoridades

Mundo

Um jornal da Florida divulgou uma sequência de vários vídeos e áudios que mostram o que se passou na escola secundária Marjory Stoneman Douglas, no dia 14 de fevereiro, quando o ex-aluno Nikolas Cruz abriu fogo e matou 17 pessoas

"Despreparados e esmagados". O South Florida Sun Sentinel titula assim o resultado de uma investigação de 10 meses ao tiroteio de Parkland, em que morreram 14 estudantes e três funcionários de um liceu, que leva o jornal a concluir que as falhas das autoridades custaram a vida às crianças da Marjory Stoneman Douglas.

"Um atirador com uma AR-15 disparou as balas, mas uma série de falhas, más políticas, treino amador e falta de liderança ajudaram-no a ser bem sucedido", escreve o jornal, que reconstituiu os minutos fatídicos com as imagens das câmaras de segurança e os relatórios oficiais.

A reconstituição mostra que apesar de o suspeito ter entrado na escola com uma arma dentro de um saco, o "código vermelho" que teria permitido o isolamento de todos os alunos não foi imediatamente acionado. Em vez disso, soaram os alarmes de incêndio, levando alguns alunos a sairem das salas de aula, em direção ao atirador.

Segundo as autoridades, Nikolas Cruz, que tinha sido expulso da escola de Parkland por "razões disciplinares", matou 11 pessoas no primeiro andar e as outras seis no terceiro. Neste piso, as vítimas foram todas alunos, apanhados nos corredores e escadas.

A investigação é publicada em vésperas da entrega do relatório preliminar sobre o tiroteio, um documento de 407 páginas que reúne mais de nove meses de testemunhos e reconstituições do trágico episódio, concluindo também que houve falhas graves, como o encerramento dos portões e a falta de atenção às pistas dadas por Cruz, de 19 anos, através da sua atividade online, da sua intenção de levar a cabo um ataque deste tipo.

Tanto o Sun Sentinel como o relatório apontam também para uma confusão relativa às imagens de segurança - alguns polícias que as observavam achavam que estavam a ver imagens em direto, e não em diferido, como era o caso, o que levou a que a sua perceção dos acontecimentos fosse, obviamente, distorcida. "Cruz já estava num Walmart ali perto e tinha pedido uma bebida no Subway" quando a polícia ainda achava que ele estava no segundo piso da escola, escreve o jornal.

Entre os vídeos publicado no site há imagens inéditas do atirador a fugir do local, depois de se desfazer da arma: