Quem pode avançar para a liderança do Partido Conservador se Theresa May perder a moção de censura
12.12.2018 às 16h08
OLI SCARFF/ Getty Images
O eventual sucesso da moção de censura que vai ser votada esta quarta feira pelos deputados do Partido Conservador à líder e primeira-ministra, Theresa May, abre a perspetiva de eleições internas, às quais existem uma série de potenciais candidatos.
Os principais candidatos à sucessão de Theresa May:
Boris Johnson
O antigo 'Mayor' de Londres Boris Johnson foi um dos protagonistas da campanha para o referendo de 2016 que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e é considerado o mais carismático dos políticos britânicos. Mas, após a demissão em julho de ministro dos Negócios Estrangeiros, tornou-se num dos mais ferozes críticos da estratégia de Theresa May para o 'Brexit', o que irritou muitos colegas.
O vocabulário usado nos artigos que escreve para o diário Daily Telegraph, como descrever o plano 'Chequers' como um "colete armadilhado" para o país, o que foi interpretado como chamar terrorista à primeira-ministra, mereceu a censura até de alguns fiéis e a promessa de outros que abandonariam o partido se Johnson alguma vez se tornasse líder. Mas a popularidade de "Bojo", de 54 anos, entre as bases do partido é grande e tem grandes hipóteses de vencer se passar à fase final da eleição interna, quando votam os militantes.
A sua estratégia para o 'Brexit' é cortar os laços com a UE e negociar um acordo de comércio livre semelhante ao do Canadá. Mas não explicou como fará para convencer Bruxelas a aceitar um período de transição.
Dominic Raab
Favorito das casas de apostas, Dominic Raab nunca excluiu a hipótese de se candidatar à liderança do partido, apesar de o advogado de 44 anos ser uma figura menos conhecida no partido. Ativista pela saída da UE, demitiu-se em novembro após apenas quatro meses de ministro para o 'Brexit' alegando que o acordo negociado por Theresa May é "mau" para a economia e para a democracia britânica. Tem como vantagem ser relativamente jovem e um bom argumentador, o que pode representar uma rutura com antigos feudos no partido.
Sajid Javid
Ex-banqueiro e filho de um motorista de autocarro paquistanês, Sajid Javid, de 49 anos, representa um Reino Unido moderno e multicultural. Em apenas alguns meses como chefe do Ministério do Interior, conseguiu impor um estilo próprio e ganhar o respeito dos parlamentares conservadores, sobretudo pela forma como controlou o escândalo "Windrush" sobre o tratamento de imigrantes de origem caribenha que chegaram ao país após a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de ter feito campanha contra o 'Brexit', é frequentemente descrito como um dos elementos eurocéticos do governo. Recentemente, revelou que a antiga primeira-ministra Margaret Thatcher lhe pediu durante um encontro com políticos conservadores para "proteger a nossa grande ilha", mas recusou sentir-se destinado a chefiar o governo.
Amber Rudd
Eleita "Ministra do Ano de 2015" pela revista conservadora The Spectator pelo seu trabalho como ministra da Energia e das Alterações Climáticas, Amber Rudd, de 55 anos, saiu em degraça do governo em abril devido ao escândalo "Windrush", acusada de ter criado um "ambiente hostil" à legalização de imigrantes. Um relatório recente que atribuiu alguns dos erros aos assessores ajudou a restaurar a reputação de Rudd, que voltou ao governo, para o Ministério do Trabalho, sucedendo a Esther McVey, demissionária em divergência com o acordo para o 'Brexit'.
Amber Rudd pode ser vista como uma herdeira natural de Theresa May e agradar tanto a deputados a favor como contra 'Brexit', mas a identificação como adepta da permanência na UE poderá jogar contra, tanto dentro do partido como em eleições legislativas.
Michael Gove
Candidato derrotado na eleição para líder do partido Conservador em 2016, após a demissão de David Cameron, Michael Gove, de 51 anos, é considerado um político hábil e competente, que já foi ministro da Educação, Justiça e agora tem a pasta do Ambiente.
A campanha dentro do governo contra o uso de plásticos reparou parcialmente a imagem, mas Gove continua ser descrito como um traidor dos amigos, tanto de David Cameron, ao decidir fazer campanha pelo 'Brexit' no referendo de 2016, como de Boris Johnson, ao assumir-se como rival na sucessão a Cameron.
David Davis
A duas semanas de completar 70 anos, David Davis é o mais experiente dos potenciais candidatos à liderança do partido, posição que disputou mas perdeu frente a David Cameron em 2005. Eurocéptico convicto, estreou o cargo de ministro para a Saída da União Europeia em 2016, após o referendo que ditou o 'Brexit', e prometeu facilidades nas negociações. Porém, também admitiu que não era preciso ser muito "inteligente" para exercer as funções, apenas manter a "calma".
Demitiu-se em julho por discordar com a proposta de Theresa May de criar uma zona de comércio livre para bens com a UE no futuro porque deixaria o país "na melhor das hipóteses, numa posição de negociação fraca, e possivelmente inaceitável".
Jeremy Hunt
O atual ministro dos Negócios Estrangeiros não é dos candidatos favoritos, mas Jeremy Hunt, de 51 anos, é um dos mais respeitados membros do governo e poderia ajudar na transição após a saída de Theresa May. A recente libertação do académico Matthew Hedges de uma prisão nos Emirados Árabes Unidos ajudou a estabelecer a sua imagem de estadista, que se junta à firmeza com que dirigiu o Ministério da Saúde. Apesar de ter feito campanha contra o 'Brexit', tem sido flexível na abordagem ao problema e poderia agradar aos 'Brexiteers' mais moderados.
Lusa
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