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A erupção do Monte Vesúvio pode ter feito com que o sangue das vítimas vaporizasse e os cérebros explodissem

Mundo

Março de 1944: Uma nuvem de cinzas paira sobre o Monte Vesúvio durante sua pior erupção em mais de 70 anos.Em primeiro plano, está a cidade de Nápoles.

Keystone/Getty Images

Um estudo recente conduzido por investigadores italianos sugere que o material expelido durante erupção do Monte Vesúvio, em Nápoles, Itália, há dois mil anos, pode ter feito com que a cabeça das vítimas explodisse

O Monte Vesúvio entrou em erupção no ano 79 d.C e fez com que as cidades de Pompeia, Oplontis e Stabiae ficassem cobertas apenas por cinzas e fragmentos de rochas, assim como a cidade de Herculano, que ficou debaixo de um fluxo de lama.

Acredita-se que, devido a este desastre, tenham morrido milhares de pessoas e, agora, uma nova investigação sugere que o material expelido durante a erupção tenha feito com que os seus cérebros explodissem, devido à acumulação intracraniana da pressão do vapor.

A mesma investigação, conduzida por arqueólogos do Hospital Universitário Federico II, na Itália, concluiu que o material, devido à sua temperatura altíssima, fez com que o sangue das vítimas vaporizasse.

A equipa de pesquisadores analisou restos mortais recuperados que foram encontrados em 12 câmaras à beira-mar, cobertas por cinzas, na cidade de Herculano, e encontrou vestígios de resíduos minerais vermelhos e pretos nos ossos, incluindo dentro dos crânios.

De acordo com os investigadores, esses resíduos contêm ferro e óxidos de ferro, substâncias químicas que se formam quando o sangue ferve e se transforma em vapor.

Essas câmaras foram utilizadas como refúgios por cerca de 300 pessoas assim que a erupção começou, mas rapidamente ficaram submersas pelo fluxo piroclástico, que corria a uma velocidade de 300 km/h. De acordo com os especialistas, a temperatura dos materiais fez com que o ar ficasse a, pelo menos, 200ºC, o que terá provocado morte instantânea às vítimas.

Crânios encontrados no local estavam rachados ou partidos, com fortes sinais de ter havido uma força extrema que fez com que estes ossos explodissem. "Este efeito parece ser o resultado combinado da exposição direta ao calor e de um aumento intracraniano da pressão do vapor induzida pela ebulição cerebral, com a explosão do crânio como um possível desfecho", escrevem os autores do estudo, publicado na revista científica PLOS One.

"Neste estudo, mostramos, pela primeira vez, evidências experimentais convincentes que sugerem que houve uma rápida vaporização dos fluídos corporais e tecidos moles das vítimas de Herculano, que morreram por exposição ao calor extremo", continuam.

Ainda não está totalmente claro se o ferro encontrado nos ossos se formou, realmente, a partir da vaporização do sangue ou de objetos como moedas, anéis e outros pertences pessoais das vítimas. Contudo, os investigadores afirmam que algumas destas substâncias químicas foram encontradas em ossos sem objetos de metal nas proximidades, o que sustenta a sua teoria.