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Mergulhadores da gruta tailandesa: “Não somos heróis”

Mundo

Alguns dos miúdos que foram resgatados ainda dentro da gruta

Facebook de Ivan Karadzic

Nove dias desaparecidos. Nove dias para serem todos resgatados. O que dizem os mergulhadores que salvaram os miúdos e o treinador

Uma verdadeira Organização das Nações Unidas de mergulhadores juntou-se na Tailândia para tirar 12 miúdos e o seu treinador de futebol de uma gruta. Tailandeses, australianos, chineses, americanos, belgas, ingleses, irlandeses uniram forças para uma missão que parecia impossível. Ao fim de 18 dias encurralados na gruta, os rapazes, entre os 11 e os 16 anos, e o treinador de 25, foram salvos através de um operação que deixou o mundo em suspenso. Saiba o que disseram alguns destes experientes mergulhadores sobre o resgate

“Ficámos muito satisfeitos e aliviados por estarem todos vivos, mas naquele momento tomámos consciência da enormidade da situação e que talvez demorássemos algum tempo a tirá-los todos dali. […] Não somos heróis, pelo contrário. O que fizemos foi muito calculado.”
John Volanthen, inglês, consultor de Tecnologias da Informação. Foi quem, juntamente com o colega britânico Rick Stanton (antigo bombeiro), encontrou os miúdos e o treinador nove dias depois de terem sido dados como desaparecidos

John Volanthen, à direita, no voo de regresso a Inglaterra

John Volanthen, à direita, no voo de regresso a Inglaterra

Twitter de @HerriotClaire

“Demos-lhe uma luz extra, ainda tinham uma, e pareciam estar bem de saúde. Claro que, quando partimos [para informar que os tínhamos encontrado], só conseguíamos pensar de que forma os iríamos tirar dali. Foi um alívio temperado com incerteza.”
Rick Stanton, na altura em que encontrou os 13 e teve de os deixar

“Tirar apenas um deles vivo da gruta seria um milagre, mas 13… não acontecerá outra vez. É o maior milagre de sempre.”
Vern Unsworth, britânico, vive em Chiang Rai (localidade mais próxima), passou os últimos seis anos a explorar aquela gruta. Foi ele quem deu a indicação onde poderiam estar as crianças e o treinador. E estavam mesmo a 200 m do sítio que ele apontou

“Uma das opções foi mesmo ensiná-los a mergulhar, mas a situação já era muito difícil para os mergulhadores experientes. O risco de os miúdos entrarem em pânico e tirarem as máscaras… acabariam por se afogar. O caminho era longo, não tinham hipóteses de sobreviver. Po isso decidimos colocá-los numa maca, com uma máscara facial completa e com oxigénio puro em pressão positiva. […] Com o conhecimento que já tínhamos do local e com as equipas todas coordenados demorávamos cerca de duas horas a tirar cada criança.”
Ben Reymenants, belga a viver em Phuket (ilha Tailandesa), é instrutor de mergulho

Ben Reymenants, à esquerda, junto à gruta onde estavam os rapazes e o treinador

Ben Reymenants, à esquerda, junto à gruta onde estavam os rapazes e o treinador

Facebook de Ben Reymenants

“Este resgate foi uma incrível jornada de colaboração que envolbveu muitas organizações e pessoas de todo o mundo.”
Jim Warny, belga a viver na Irlanda há 15 anos

“Estava muito assustado quando vi o mergulhador e o primeiro miúdo a sair, não se conseguia ver mais do que 50 metros para frente, não sabia ser estava morto ou vivo. Não foi um sentimento nada bom. Quando vi que estava vivo foi muito bom.”
Ivan Karadzic, dinamarquês que vive na Tailândia

Ivan Karadzic, ao centro, sentado, no teatro de operações

Ivan Karadzic, ao centro, sentado, no teatro de operações

Facebook de Ivan Karadzic

“Eles [a organização] forneceram tudo, desde o catering às comunicações, e claro as equipas de trabalhadores que puseram toneladas de equipamentos para tentar baixar a água e manter as operações de mergulho. […] Nunca vi nada assim, com o Homem a lutar para controlar as forças naturais das monções.”
Richard Harris, médico e mergulhador australiano, post no Facebook