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Adul, o rapaz de 14 anos que serviu de intérprete entre o resto da equipa e os mergulhadores

Mundo

Adul Sam-on, à direita

Adul Sam-on teve um papel determinante na operação de resgate e, nestes dias ainda de rescaldo da tensão com que o mundo assistiu ao salvamento dos 12 rapazes e do treinador, chovem elogios ao jovem "extremamente bem educado" e fluente em inglês

Foi na terça-feira que a operação de resgate de 13 elementos da equipa de futebol tailandesa Wild Boars foi dada como terminada, com a saída da gruta dos últimos quatro rapazes, do treinador, assim como dos mergulhadores e do médico que ficaram com eles desde que foram encontrados. Mas, desde então, continuam a surgir histórias e detalhes sobre o tenso e mediático salvamento. É o caso do papel fundamental de Adul Sam-on, de 14 anos, que permitiu a comunicacão com os mergulhadores estrangeiros.

A fluência do jovem em inglês está a ser destacada em vários meios de comunicação sobretudo por ser natural de um país onde menos de um terço da população fala a língua: Adul Sam-on nasceu em Myanmar e chegou à Tailândia sozinho, na condição de refugiado e na esperança de conseguir estudar mais. Além da sua língua materna, do tailandês e do inglês, o jovem ainda fala mandarim.

Um dos primeiros vídeos divulgados depois de o grupo ser encontrado na gruta de Tham Luang mostra Adul a perguntar aos mergulhadores que dia era e a dizer-lhes que tinham fome.

"Sou o Adul, estou bem de saúde", ouve-se também o jovem dizer em tailandês no vídeo tornado público horas depois da chegada dos mergulhadores, enquanto fazia a tradição saudação do país, marca da sua boa educação, como dizem os seus professores.

"A primeira coisa que me vem à cabeça quando falo sobre ele são as suas boas maneiras", conta um deles, da Escola de Ban Pa Moead, à AFP.

Adul nasceu em Wa State, estado autónomo de Myanmar que não é reconhecido internacionalmente, nem pela antiga Birmânia. O conflito entre os rebeldes da região e as tropas de Myanmar tem levado milhares a procurar melhores condições de vida na vizinha Tailândia. O jovem não tem certidão de nascimento nem cartão de identificação ou passaporte, pelo que não pode casar, empregar-se legalmente, abrir uma conta no banco, ter uma propriedade sua ou votar.

Jogador de futebol apaixonado, Adul ainda é um bom aluno, além de tocar piano e guitarra. Resume o diretor da escola Phunawhit Thepsurin, em declarações à mesma agência: "É uma pedra preciosa."