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António Costa não se lembra de cimeira da União Europeia "onde tenham sido tão evidentes as divisões"

Mundo

António Costa com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker

Pier Marco Tacca

O primeiro-ministro, António Costa, comentou hoje em Bruxelas que o acordo sobre migrações "não disfarça as divisões profundas que hoje ameaçam a UE" e assegurou que "Portugal não se candidata" a acolher centros controlados para receber migrantes

O primeiro-ministro, António Costa, comentou hoje em Bruxelas que o acordo sobre migrações "não disfarça as divisões profundas que hoje ameaçam a UE", afirmando mesmo que não se lembra de uma cimeira onde as mesmas tenham sido tão evidentes.

"Esta foi uma cimeira seguramente muito difícil, e onde o aparente consenso expresso no documento não disfarça as divisões profundas que hoje ameaçam a União Europeia em matéria de valores e em matéria de migrações", disse, ao sair da cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

Quanto ao teor do compromisso alcançado ao fim de uma longa maratona negocial, Costa observou que "quem ler atentamente as conclusões, verificará que o Conselho não fez mais do que mandatar a Comissão e o Conselho para dialogarem com as Nações Unidas, com a Organização Internacional para as Migrações, com países terceiros para explorar uma ideia, e nada mais do que isso".

"Foi um debate muito difícil. Eu não me recordo nestes anos que tenho estado aqui no Conselho de um debate tão difícil e onde tenha sido tão evidente as divisões que hoje efetivamente existem na Europa e que não vale a pena querermos disfarçar que existem", lamentou.

Ainda sobre as conclusões adotadas relativamente à gestão dos fluxos migratórios, Costa comentou que "a existência de canais legais e seguros, que permitam aos refugiados entrar na Europa sem ser por via das redes ilegais e sem porem a sua vida em risco, deve ser assegurado, desde que claramente não sejam campos de contenção que desresponsabilizem a Europa, fazendo um 'outsourcing' para países terceiros de responsabilidades da UE, mas que seja, pelo contrário, uma forma de encontrar um canal aberto e positivo".

Portugal não se candidata a acolher centros controlados para receber migrantes

O primeiro-ministro afirmou que Portugal não é candidato a acolher centros controlados, previstos no acordo sobre migrações alcançado esta madrugada no Conselho Europeu, em Bruxelas.

"Portugal não se candidata, nem havia razões para isso", esclareceu o primeiro-ministro português, quando questionado sobre se o país seria candidato a acolher centros controlados, destinados a receber pessoas resgatadas em operações de salvamento no Mediterrâneo.

Em declarações aos jornalistas, à saída do Conselho Europeu, António Costa recordou que "Portugal é um país que tem tido uma política coerente e constante em matéria de migrações", tendo inclusivamente assumido "uma quota de aceitação de refugiados que é largamente superior à quota obrigatória da União Europeia (UE).

LUSa