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A Índia é o país mais perigoso para se ser mulher

Mundo

Manifestação em Nova Deli devido a casos de violação e violência sexual

Hindustan Times/Getty

A violência sexual, o apedrejamento como forma de punição ou os casamentos forçados são apenas três dos fatores que puseram a Índia no topo da lista dos piores lugares para as mulheres. Mas os EUA também lá estão devido ao movimento #MeToo

A Índia é o país mais perigoso do mundo para se ser mulher devido ao elevado risco de violência sexual e escravidão.

Este é o resultado de um estudo da Thomson Reuters Foundation (o braço filantrópico da agência noticiosa Reuters) feito com 548 especialistas em assuntos relacionados com as mulheres que “elegeu” os 10 países mais perigosos para elas.

A Índia foi considerado o pior país em termos de violência sexual contra as mulheres, assim como no item tráfico humano para trabalho doméstico, trabalho escravo, escravidão sexual e casamento forçado.

Foi, também, considerado o pior do mundo em relação às tradições culturais que afetam as mulheres, como mutilação genital, casamento infantil, casamento forçado, apedrejamento, abuso físico ou mutilação como forma de punição e infanticídio feminino.

O líder da oposição indiano, Rahul Gandhi, chamou estes resultados de “vergonhosos”: “A história da nossa sociedade está entrincheirada entre o patriarcado e a misoginia”. Rahul, através do twitter, atacou o primeiro-ministro Narendra Modi.

“Enquanto o nosso primeiro-ministro anda, nas pontas dos pés, a fazer vídeos de ioga no seu jardim, a Índia lidera, seguida do Afeganistão, Síria e Arábia Saudita, em violência e violações contra as mulheres. Que vergonha para o nosso País.”

(Nota: Em quarto lugar está a Somália, não a Arábia Saudita)

Na lista dos dez piores estão países de África, Médio Oriente e Ásia, no entanto, no último posto surgem os EUA. A Thomson Reuters Foundation diz que o facto está relacionado com o movimento #MeToo.

Lista dos 10 países onde é mais perigoso ser mulher

1. Índia

2. Afeganistão

3. Síria

4. Somália

5. Arábia Saudita

6. Paquistão

7. República Democrática do Congo

8. Iémen

9. Nigéria

10. Estados Unidos da América

“Compreendo porque é que as pessoas têm a perceção de que somos um país perigoso para as mulheres, porque até somos”, referiu Abby Honold, vítima de assédio sexual e ativista americana, à Thomson Reuters Foundation. “Tentamos vender que somos um país de liberdade e seguro, mas há muitas pessoas aqui que não estão em segurança, as vítimas de assédio e violência sexual certamente não estão”, concluiu.

Este mesmo estudo foi feito em 2011 e os os cinco primeiros países foram o Afeganistão, República Democrático da Congo, Paquistão, Índia e Somália. Agora, a fundação quis ver se estes resultados se tinham alterado e repetiu a análise de acordo com os riscos que as mulheres enfrentam em seis item específicos: cuidados de saúde, discriminação e recursos económicos, tradições culturais (incluem a religião e os costumes sociais), assédio e violência sexual, violência não sexual (doméstica, física e emocional) e tráfico humano.

Os 548 especialistas contactados incluem académicos, profissionais de saúde, funcionários de Organizações Não Governamentais, políticos ou jornalistas. Foi-lhes pedido que nomeassem os cinco mais perigosos (dos 193 que fazem parte da ONU) e, depois, que nomeassem o pior em cada uma das seis áreas.