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Na China há aulas para ser a mulher perfeita

Mundo

Aula sobre a cerimónia do chá numa universidade do sul da China

The Washington Post/Getty

Como servir chá, sentar-se numa cadeira ou aplicar maquilhagem fazem parte de um curso lançado recentemente para fazer regressar a cultura tradicional chinesa. Os direitos das mulheres ficam em segundo plano

As aulas pretendem fazer crescer o número de mulheres “sábias”, “luminosas” e “perfeitas”, em que o conhecimento vem do estudo da História e cultura chinesas, a luminosidade das aulas de etiqueta e a perfeição da aplicação (nunca em exagero) da maquilhagem.

É esta a descrição das lições, só para mulheres, que começaram a ser ministradas numa universidade no sul da China, conta o The Washington Post, o primeiro órgão de comunicação social estrangeiro a entrar no campus e a falar com algumas alunas.

Este novo curso, lançado em março, depois do presidente Xi Jinping ter alterado a lei que o permite eternizar-se no cargo, vem na sequência dos pedidos governamentais para um regresso às tradições originais, em que a papel das mulheres na sociedade chinesa tem de ser, em primeiro lugar, o de esposas e mães.

Como conta o jornal americano, esta é a adaptação das mulheres à “nova era Xi”.

“Têm de se sentar nos primeiros dois terços da cadeira – não podem ocupar a cadeira toda”, exemplifica um estudante de 21 anos. “Agora, sustém a barriga, juntas as pernas e eleva os ombros”, acrescenta.

Alunas chinesas a aprender a maneira correta de se sentarem numa cadeira

Alunas chinesas a aprender a maneira correta de se sentarem numa cadeira

The Washington Post/Getty

O “New Era Women's School” pretende destacar, segundo a diretora do curso, “que o mais importante agora é o papel familiar das mulheres”.

Apesar do Partido Comunista querer que as mulheres tenham educação académica, está, também, preocupado que estas não queiram casar e ter filhos, o que, depois de anos de uma política de filho único, pode causar desequilíbrios na sociedade.

“De acordo com a cultura tradicional, as mulheres devem ser modestas e ternas, e o papel dos homens é trabalhar fora e sustentar a família”, referiu outra estudante de 21 anos, antes de uma aula sobre a cerimónia do chá. “Quero ser um exemplo para os meus filhos”, concluiu.

Apesar do presidente se dizer aberto aos direitos das mulheres, a prática tem demonstrado o contrário. “A nossa cultura está cheia de restrições – e opressão – às mulheres”, disse ao jornal uma feminista chinesa cujo site foi censurado recentemente.

A diretora do curso não respondeu a muitas perguntas sobre os direitos das mulheres. “O país está a querer fazer sobressair a cultura tradicional, por isso nós estamos a fazer cursos”, disse.