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Já são conhecidas as provas policiais contra o casal da “casa dos horrores”

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Louise Turpin (sentada à esquerda) e David Tupin (sentado) poucos dias depois de serem detidos, em janeiro

Pool/Getty

Pela primeira vez os investigadores contaram publicamente os que lhes disseram os 13 filhos que foram mantidos em cativeiro pelos pais, na Califórnia. O casal Turpin torturou, deixou à fome e acorrentou à cama crianças e adultos

“Fugi de casa. Somos 16 pessoas lá em casa. Somos maltratados. Os meus irmãos estão acorrentados. Não sei onde estou, nunca saí à rua. Não saio muito. Não consigo respirar porque a casa está muito suja. Não tomamos banho. Não tomo banho há uma anos. Não sei se precisamos de ir ao médico”.

Estas são algumas das frases que Jordan Turpin, de 17 anos, disse à operadora do 112 (911 nos EUA) na conversa que mantiveram durante uns minutos, em janeiro deste ano.

A chamada foi ontem, quarta-feira, 20, ouvida num tribunal de Riverside, na Califórnia, durante a audiência preliminar contra David e Louise Turpin, o casal que manteve 12 dos 13 filhos sequestrados naquela que ficou conhecida como a “casa dos horrores”.

Foi a primeira vez que o Ministério Público apresentou as provas contra os pais que, durante anos, bateram, deixaram à fome, acorrentaram às camas, proibiam de tomar banho os filhos – seis menores e sete adultos entre os 2 e os 29 anos.

A audiência foi aberta, embora o juiz não tenha autorizado a recolha de imagens, nem gravação áudio, e, durante algumas horas, foram mostradas várias fotografias tiradas pela adolescente que alertou as autoridades (com um telemóvel que o irmão tinha abandonado e que disse ser apenas para ser utilizado em caso de emergência), foi ouvida a chamada da rapariga para o 112 e ouvidos vários investigadores da polícia que recolheram os depoimentos das crianças e relataram o seu estado médico na altura, através dos relatórios oficiais.

Fechados 20 horas por dia

O casal Turpin, ele de 56 anos e ela de 49, alegou, na altura da detenção, inocência perante os 40 acusações que incluíam tortura, sequestro, abuso de adulto dependente e abuso sexual de criança,

Um dos investigadores contou em tribunal, que Joanna, de 14 anos, lhe disse que a mãe a atirava pelas escadas abaixo e que a rapariga “tinha um medo terrível”. Julissa, de 11 anos, contou à polícia que a mãe lhe batia frequentemente, ora com murros de punho fechado, ora com chapadas de mão aberta, e que estava “sempre com fome”. As crianças eram alimentadas uma de cada vez, sendo chamadas à cozinha pela mão que lhes dava pão com manteiga de amendoim ou um burrito. Julissa disse que muitas vezes havia sumos de maçã no frigorífico, mas eles não estavam autorizados a beber. Que os pais “comiam pizzas e batatas fritas” e que, mesmo quando havia “tartes no frigorífico ou na dispensa” a mãe deitava fora quando já estavam fora de prazo.

Os filhos eram mantidos numa divisão com várias camas onde estavam 20 horas por dia. Jordan, a rapariga que fugiu e chamou a polícia, passava 15 horas por dia a dormir. Levantava-se às 11 da noite e voltava a deitar-se às às três da manhã. Não via a luz do sol.

Segundo os relatórios médicos, a menina de 11 anos tinha um diâmetro de braço igual ao de um bebé de quatro meses e meio, a rapariga de 17 anos pesava 43 quilos ou um rapaz de 15 anos tinha dificuldade em andar. Todos tinham mais alguns problemas de saúde causados pela subnutrição.

Esta audiência preliminar serve para mostrar ao juiz que há provas suficientes para sustentar a acusação.