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O menino da jaula estava mesmo numa jaula e a culpa é de Trump. Mas esta não é a história toda

Mundo

A imagem de um menino a chorar, dentro de uma jaula, enfureceu e partiu o coração das redes sociais e tornou-se viral como símbolo da política de "tolerância zero" de Donald Trump. Só que o contexto da foto é bem diferente

Com a comunidade internacional a ferver com as notícias, imagens e até sons das crianças imigrantes a chorarem pelos pais nos centros de detenção temporários nos Estados Unidos, nas zonas de fronteira com o México, a fotografia deste menino a chorar, atrás das grades, publicada pelo jornalista e realizador Jose Antonio Vargas, tem sido amplamente partilhada.

"Isto é o que acontece quando o governo acredita que as pessoas são 'ilegais'. Crianças em jaulas", lê-se no tweet datado de 11 de junho. Dos milhares de comentários sobressai a indignação com a política de imigração da Administração Trump, que já levou a que pelo menos 2 mil crianças fossem separadas dos pais.

Não é, no entanto, o caso do protagonista desta imagem, como concluiu o site de fact-checking Snopes Captada a 10 de junho, a fotografia mostra um protesto contra a nova lei de imigração, em Dallas. A criança estava efetivamente a chorar pela mãe, mas porque, a dada altura, viu a progenitora e queria sair da jaula, mas não conseguia.

Leroy Pena, líder da organização da manifestação, partilhou a mesma imagem no Facebook, com a legenda "isto fez parte do nosso protesto de ontem, mas isto está mesmo a acontecer, neste preciso momento, nos centros de detenção para crianças".

Outras fotos da mesma ação de protesto mostram o menino a andar já fora da jaula.

À CNN, Pena explicou que a criança esteve dentro da jaula apenas cerca de 30 segundos porque foi atrás do seu irmão mais velho, que encenou a detenção, juntamente com outros adolescentes.

Sobre a atenção que a foto recebeu nas redes sociais e nos media, Pena confessou-se frustrado, uma vez que a partilhou no seu perfil pessoal e apenas para "amigos".

Já Vargas admite que percebeu que a imagem era enganadora, mas defende o seu direito a partilhá-la para chamar a atenção para o problema real nas fronteiras dos EUA com o México.