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Especialista diz que linguagem corporal de Trump mostrou "desespero" para mostrar que controlava

Mundo

Reuters

Um especialista em linguagem corporal ouvido pela Sky News garante que o Presidente norte-americano estava "desesperado para ser visto como o líder" no encontro "muito, muito encenado" com Kim Jung-un

"Trump e Kim não estavam a tentar impressionar-se um ao outro, estavam a tentar impressionar os seus públicos em casa, foram muito claros sobre as mensagens que queriam passar", explica Paul Boross, orador e especialista em linguagem corporal, que analisou o encontro entre os líderes norte-americano e norte-coreano e, em particular, o histórico aperto de mão.

Para Boross, é claro que as várias pancadinhas que Trump deu no braço de Kim durante e depois do primeiro cumprimento evidenciam "desespero" por se mostrar no comando. "É um indicador de controlo", esclarece, acrescentando, no entanto, que o gesto tem o efeito contrário perante a impassividade de Kim.

Sobre o habitual aperto de mão "à Trump", em que o Presidente dos EUA aperta com força a mão e, normalmente, puxa o seu interlocutor, Boross considera que o líder da Coreia do Norte "fez o seu trabalho de casa" e aproximou-se de Trump na altura do cumprimento e não se permitiu ser puxado.

Nos momentos que se seguiram, Donald Trump "gritou impaciência" ao não parar com as mãos, enquanto Kim Jung-un se mostrou "muito bom a controlar o espaço" ao sentar-se e inclinar-se para a frente.

Quando andaram lado a lado e acenaram aos jornalistas, os dois líderes mostraram "sincronia". "É um bom indicador de que estavam, pelo menos, confortáveis"

Este foi o primeiro encontro entre os líderes dos dois países depois de quase 70 anos de confrontos políticos no seguimento da Guerra da Coreia e de 25 anos de tensão sobre o programa nuclear de Pyongyang.

Este encontro histórico ocorreu depois de, em 2017, as tensões terem atingido níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), face aos sucessivos testes nucleares de Pyongyang e à retórica beligerante de Washington.

A cimeira começou pouco depois das 09:00 de terça-feira (02:00 em Lisboa), num hotel em Singapura, e resulta de uma corrida contra o tempo - com uma frenética atividade diplomática em Washington, Singapura, Pyongyang e na fronteira entre as duas Coreias -, em que houve anúncios, ameaças, cancelamentos e retratações surpreendentes.