"É o melhor para o PP, para mim e para Espanha", diz Rajoy ao anunciar que deixa a liderança do partido
05.06.2018 às 13h08
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O ex-presidente do Governo espanhol Mariano Rajoy anunciou que vai deixar a presidência do Partido Popular e que vai propor a marcação de um congresso extraordinário
O ex-presidente do Governo espanhol Mariano Rajoy anunciou esta terça feira em Madrid que vai deixar a presidência do Partido Popular (direita) e que vai propor a marcação de um congresso extraordinário para escolher o seu sucessor.
"É o melhor para o PP, para mim e para Espanha", disse Mariano Rajoy perante o Comité Executivo Nacional do PP reunido em Madrid para discutir a estratégia futura do partido.
Rajoy toma esta decisão depois de ter sido afastado da chefia do Governo na passada sexta-feira na sequência da aprovação de uma moção de censura contra o seu Governo que também significou a subida do líder socialista, Pedro Sánchez, ao lugar de primeiro-ministro.
O Congresso dos Deputados (parlamento) aprovou na passada sexta-feira por 180 votos a favor, 169 contra e uma abstenção a moção de censura que afastou Rajoy e, ao mesmo tempo, investiu o novo primeiro-ministro Pedro Sánchez.
Pedro Sánchez, um economista de 46 anos, é o primeiro chefe de Governo que chega ao poder depois ter ganho uma moção de censura.
A queda do executivo de Mariano Rajoy, que esteve seis anos à frente dos destinos de Espanha, é provocada depois de vários ex-membros do PP terem sido condenados a penas de prisão por terem participado num esquema de corrupção, que ficou conhecido como caso "Gürtel", que também beneficiou esse partido.
O PP também foi condenado ao pagamento de uma multa por ter beneficiado desse esquema fraudulento. Rajoy nunca foi envolvido diretamente no caso Gurtel, mas os seus cargos de responsabilidade no PP levaram os opositores a acusá-lo de ter "fechado os olhos" ao esquema.
O empresário Francisco Correa, considerado o “cérebro” do “caso Gurtel”, foi condenado a mais de 52 anos de prisão e Luis Barcenas, o ex-tesoureiro do PP, a 33 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de quatro milhões de euros.
Durante o julgamento, Francisco Correa explicou um esquema em que entregava “envelopes” com dinheiro a funcionários públicos e responsáveis políticos eleitos pelo PP, para ajudarem certas empresas “amigas” a ganharem contratos de direito público.
Lusa
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