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Na África Subsariana, um quarto das reservas de sangue está contaminado com malária

Mundo

Ann Johansson / GettyImages

Um estudo publicado esta semana, numa conferência sobre a malária, revela que cerca de um quarto das reservas dos bancos de sangue, em algumas zonas da África Subsariana, está contaminado com parasitas que causam a doença.

Se precisar de uma transfusão de sangue em alguns locais da África Subsariana, é muito provável vir a contrair malária. Isto porque, segundo um estudo publicado esta semana, durante a sétima edição da Multilateral Initiative on Malaria (MIM), no Dakar, Senegal, um quarto das reservas dos bancos de sangue está contaminado com os parasitas que a causam.

O estudo foi feito por uma equipa do Worldwide Antimalarial Resistance Network, a partir da análise de 26 estudos já divulgados. Dos mais de 22500 doadores de sangue envolvidos nas pesquisas, 23,46% tinham vestígios destes parasitas, o que faz com que a transmissão da doença seja muito mais provável no momento das transfusões de sangue. Assim, é necessário dar aos pacientes medicamentos antimaláricos de forma preventiva, porque a probabilidade de infeção é grande.

E o pior é que a dificuldade em encontrar os portadores de malária entre os doadores é muito grande: investigadores suíços analisaram 200 reservas do banco de sangue de Malabo, a capital da Guiné Equatorial, e descobriram que 29,5% das amostras estavam contaminadas. Mas isto não quer dizer que haja falhas no momento da seleção dos doares, na opinião de Carl Maas, um dos autores do estudo. "A seleção é sólida, com questionários muito detalhados e vários testes para detetar o vírus da SIDA, hepatite e até a malária", diz.

O problema tem a ver com os testes de diagnóstico implementados nos bancos de sangue. "A tecnologia que usámos no nosso estudo custa entre 10 mil e 30 mil dólares, e nos bancos de estudo custa apenas de três a cinco dólares", conta. Esta diferença faz com que os meios disponíveis nos bancos de sangue não permitam detetar quando existem menos de 100 parasitas da malária por mililitro de sangue, o que torna muito mais difícil identificar um portador da doença.

Segundo Selali Fiamanya, autor do estudo, são as mulheres grávidas e crianças que recebem mais transfusões sanguíneas na África Subsariana. Em comunicado, o médico disse que muitas das crianças infetadas com malária precisam de receber transfusões para combater a anemia que a própria doença causa - as crianças com menos de cinco anos representam 70% das mortes causadas pela malária, todos os anos.

A malária é uma doença infecciosa provocada pelo parasita Plasmodium, que é transmitido através da picada de um mosquito. Depois disso, os parasitas multiplicam-se no fígado do doente e infetam os glóbulos vermelhos no sangue. Os sintomas incluem febre, dores de cabeça, vómitos e, geralmente, surgem entre 10 e 15 dias depois da picada.