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Ataque à Síria: Portugal compreende, Europa apoia, Rússia e China condenam

Mundo

Anadolu Agency

Apesar de defenderem que é necessário "evitar qualquer escalada no conflito sírio, que gere ainda mais insegurança, instabilidade e sofrimento na região", as autoridades portuguesas compreendem as "razões e a oportunidade" do ataque levado a cabo por EUA, França e Reino Unido

O Governo e o Presidente da República portuguêses disseram este sábado compreender as razões que levaram à intervenção militar desta madrugada na Síria, realizada pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, defendendo, no entanto, ser necessário evitar uma escalada do conflito.

"Portugal compreende as razões e a oportunidade desta intervenção militar", afirma o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado, acrescentando que o objetivo foi "infligir danos à estrutura de produção e distribuição de armas que são estritamente proibidas pelo direito internacional". Marcelo Rebelo de Sousa veio, mais tarde, dar a sua concordância à posição oficial expressa pelo Executivo liderado por António Costa

De acordo com o comunicado divulgado pelo ministério de Augusto Santos Silva, o regime sírio "deve assumir plenamente as suas responsabilidades", já que "é inaceitável o recurso a meios e formas de guerra que a humanidade não pode tolerar".

Lembrando que o ataque desta madrugada visou a capacidade de armamento químico da Síria, o MNE refere que os bombardeamentos foram feitos por "três países amigos e aliados de Portugal, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido".

No entanto, afirma o ministério, é necessário "evitar qualquer escalada no conflito sírio, que gere ainda mais insegurança, instabilidade e sofrimento na região".

O Governo relembra ainda que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Europeia "têm repetidamente insistido" que "todas as partes devem mostrar abertura para investigações independentes que possam apurar e punir responsabilidades por crimes de guerra".

Além disso, defende que todas as partes envolvidas "devem mostrar contenção no uso da força e empenhamento na procura de uma solução política, negociada e pacífica, para o conflito na Síria, que representa hoje uma muito séria ameaça à paz e segurança no mundo".

Putin critica "ato de agressão contra um Estado soberano" e Rússia pede reunião de urgência na ONU

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que os ataques à Síria foram realizados sem qualquer enquadramento legal e constituem um "ato de agressão contra um estado soberano".

Os ataques com mísseis foram realizados "sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, em violação da Carta das Nações Unidas e de normas e princípios do direito internacional" e constituem "um ato de agressão contra um Estado soberano que está na vanguarda da luta contra o terrorismo", refere Putin em comunicado.

Moscovo insiste que não existiu qualquer ataque com armas químicas por parte de Damasco e acusou as potências ocidentais de tentarem procurar uma desculpa para executarem o ataque.

"Especialistas militares russos que visitaram a cena deste incidente imaginário não encontraram evidências de uso de cloro ou outras substâncias tóxicas, e nenhum morador local confirmou um ataque químico", afirma Putin no comunicado.

Segundo o líder russo, o Ocidente tem "mostrado um desprezo" pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que deveria começar os seus trabalhos de verificação no local hoje, ao optar por "uma ação militar sem esperar pelos resultados da investigação".

"Através das suas ações, os Estados Unidos agravaram a crise humanitária na Síria, trazem sofrimento para a população civil, favorecem os terroristas que assolam há sete anos o povo sírio e causam uma nova onda de refugiados", considerou ainda a Rússia.

A Rússia anunciou, entretanto, que vai pedir uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU após os ataques ocidentais contra alvos na Síria.

"A Rússia convoca uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU para discutir as ações agressivas dos Estados Unidos e seus aliados", refere Moscovo em comunicado.

China diz que ataque na Síria viola carta da ONU

A China criticou hoje o ataque conjunto dos Estados Unidos, França e Reino Unido contra a Síria, por considerar que viola a Carta das Nações Unidas e complica as negociações de uma solução para o conflito.

"Qualquer ação militar unilateral sem o aval do Conselho de Segurança é contrária aos propósitos e princípios da Carta da ONU e viola os princípios e normas básicas do direito internacional", afirmou em comunicado uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying.

Este ataque "também acrescenta fatores novos e complicados para a solução da questão síria", acrescentou a porta-voz.

"Nós opomo-nos ao uso da força nas relações internacionais e apoiamos o respeito pela soberania, a independência e a integridade territorial de todos os países", disse.

A China "apela a todas as partes para que ajam no quadro do direito internacional e para que resolvam a crise através do diálogo e da negociação", referiu a porta-voz.

União Europeia ao lado dos seus aliados

"Os ataques dos EUA, França e Reino Unido mostram claramente que o regime sírio, com a Rússia e o Irão, não podem continuar com esta tragédia humana, pelo menos sem terem custos", escreveu Donald Tusk, na sua conta de Twitter.

A chefe do Governo da Alemanha, Angela Merkel, afirmou hoje que o ataque a alvos sírios com mísseis foi uma resposta "necessária e apropriada" após as denúncias de uso de armas químicas por parte de Damasco.

O Governo de Berlim apoia os ataques dos EUA, França e Reino Unido, considerando-os uma "intervenção militar necessária e apropriada", afirmou hoje em comunicado Angela Merkel.

"Nós estamos ao lado dos nossos aliados americanos, britânicos e franceses" que "assumiram as suas responsabilidades", com uma "intervenção militar que era necessária e apropriada".

Esta posição foi anunciada dois dias depois de Berlim ter dito que não iria tomar parte das ações militares contra Damasco.

Três alvos na mira

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do Governo de Bashar al-Assad.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.

O Presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à "ação monstruosa" realizada pelo regime de Damasco contra a oposição e prometeu que a operação irá durar "o tempo que for necessário".

Peritos da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) tinham previsto iniciar hoje uma investigação sobre o alegado ataque com armas químicas. A missão recebeu um convite do Governo sírio, sob pressão da comunidade internacional.

Mais de 40 pessoas morreram e 500 foram afetadas no ataque de 07 de abril contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas químicas.

A oposição síria e vários países acusam o regime de Al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que o ataque foi encenado com a ajuda de serviços especiais estrangeiros.