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Escândalo sexual na ONU: Funcionária diz que lhe ofereceram uma promoção para aceitar um pedido de desculpas

Mundo

Michel Sidibé, diretor do UNAIDS

Anadolu Agency/ Getty Images

A conselheira política das Nações Unidas que diz ter sofrido abuso sexual por parte de um alto responsável da organização fala do caso pela primeira vez

Numa entrevista exclusiva à CNN, a funcionária das Nações Unidas que acusou o vice-diretor executivo do programa UNAIDS de abuso sexual fala agora do caso e diz que lhe foi oferecida uma promoção em troca da aceitação de um pedido de desculpas por parte do brasileiro Luiz Loures.

Segundo Martina Brostrom, o alto funcionário da ONU agarrou-a num elevador de hotel, beijou-a à força e tentou arrastá-la até ao seu quarto, durante uma conferência em 2015.

No artigo, a CNN avança que Loures, que nega as acusações, garante que cooperou com a investigação de 14 meses ao caso. Na altura, a ONU concluiu que as alegações de Brostrom, conselheira política do programa das Nações Unidas para a sida, não eram fundamentadas.

    O responsável deixa agora a organização, mas por sua decisão, segundo a ONU.

    Além de Brostrom, outras duas mulheres acusam Loures de abuso sexual. Uma, Malayah Harper, relatou à CNN que um caso semelhante, também num hotel, em 2014. A outra, que pediu anonimato, diz que foi alvo de abuso "há uns anos".

    A cadeia de informação norte-americana teve ainda acesso a uma gravação de uma reunião no final de fevereiro, em que o diretor do UNAIDS, Michel Sidibé, garante não ter sido avisado sobre o comportamento de Loures e critica as funcionárias que levaram as suas alegações de assédio sexual para a praça pública.

    Brostrom diz ter avisado informalmente Sidibé, um ano depois do episódio, mas só mais tarde, quando uma reorganização interna podia pôr Loures na posição de seu supervisor, pediu a abertura de uma investigação. Meses depois, relata que Sidibé a pressionou para deixar cair a queixa e aceitar um pedido de desculpas de Loures, a troco de uma promoção, o que o Sidibé negou quando falou com os investigadores, admitindo, no entanto, ter dito a Brostrom que seria bom "encontrar uma forma" de proteger a organização e que fosse boa para "ela própria". O responsável reconheceu também que lhe sugeriu "terem uma conversa os dois só para perceber como [o seu desejo de ser promovida] podia desenvolver-se de outra forma".

    A funcionária, que está de baixa desde abril do ano passado, tem uma avaliação médica, datada de junho, que declara que sofre de stress pós-traumático na sequência de um incidente em maio de 2015.

    Num email ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, Brostrom descreveu-se como "vítima de um duplo abuso - primeiro, sexualmente, por Luiz Loures, e depois profissional e moralmente por Michel Sidibé".

    "O que me aconteceu, como a situação foi mal gerida, não devia acontecer a nenhuma outra mulher", lamenta, à CNN.