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Europa: Salários não acompanham preços das casas

Mundo

Margarethe Wichert/Getty

O real número de pessoas sem-abrigo na União Europeia é uma grande incógnita, mas quase 11 milhões de famílias estão em situações limite. O preço das casas aumentou muito e os salários dos mais desfavorecidos não

Das 220 milhões de famílias da União Europeia quase 11 milhões vivem em estado de “privação severa de habitação”; mais de 33 milhões vivem em casas com humidade; quase 37 milhões habitam em lares com demasiadas pessoas; 30 milhões moram em zonas muito poluídas. A grande incógnita é o número de sem-abrigo. A vermelho está escrito: número desconhecido.

O terceiro relatório da francesa Fondation Abbé Pierre e da FEANTSA (sigla da Fédération Européenne d'Associations Nationales Travaillant avec les Sans-Abri; Federação Europeia de Associações Nacionais que Trabalham com os Sem-Abrigo) – duas instituições que atuam em prol dos mais desfavorecidos – mostra o lado negro da Europa através dos dados do Eurostat (a agência estatística da União Europeia) relativos a 2016.

Se, em alguns casos, há dados que espelham o aumento exponencial de pessoas sem-abrigo nalguns países da União Europeia (UE), noutros não há números, como é o caso de Portugal.

Na Alemanha, existem 860 mil sem-abrigo e, só entre 2014 e 2016 o aumento foi de 150%. Já em Inglaterra, entre 2010 e 2017 o aumento foi de 169% e na Irlanda, entre 2014 e 2017, mais 145% passaram a viver nas ruas. A Finlândia é o único país que conseguiu baixar (18%) o número de pessoas sem casa no período entre 2009 e 2016.

De acordo com o estudo, a esperança de vida de uma pessoa sem-abrigo é 30 anos inferior à restante população e, em média, vivem 10 anos na rua.

As crianças sem casa estão a tornar-se no maior grupo que dorme em abrigos e há milhares nas ruas. Na Irlanda, um em cada três sem-abrigo é uma criança, num total de mais de três mil. Na Suécia, 10 mil a 15 mil crianças não têm lar e na Holanda são quatro mil.

O aumento do preço das casas não acompanhou nem de perto, nem de longe os ordenados praticados na UE. Entre 2010 e 2016, o custo das casas para as famílias mais pobres aumentou três quartos. O agravamento dos preços foi de 20% em quase metade dos países, mas nalguns foi mais do dobro. Casos de Portugal, com mais 40% (que ocupa o terceiro lugar neste ponto), atrás do Reino Unido com mais 45% e da Bulgária com 54%.

Já no que diz respeito à proporção média do rendimento disponível das famílias pobres que é gasto na habitação, a Grécia lidera com 75% e Portugal, com 35%, está baixo da média que é de 42.1%.

Entre os cidadãos da UE, com idade entre 18 e 24 anos, abaixo da linha da pobreza, 43% estavam sobrecarregados pelos custos de habitação em 2016, quatro vezes mais do que a população em geral. Os países onde este nível é mais alto são a Áustria (50%), Reino Unido (50%), Bulgária (52%), República Checa (54%), Suécia (54%), Alemanha (57%), Holanda (70%), Dinamarca (87%) e Grécia, onde 90% dos jovens em situação de pobreza está assoberbado pelos custos da casa. Em Portugal são 33%.