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Importações de troféus de caça novamente permitidas nos EUA

Mundo

Scott Olson / GettyImages

Donald Trump autorizou que os caçadores americanos levem partes de animais mortos para o território, embora as permissões sejam concedidas caso a caso, contradizendo o que havia dito em novembro

Em 2014, Barack Obama proibiu a importação dos chamados troféus de caça, como as presas, orelhas ou as caudas de paquidermes (elefantes, rinocerontes ou hipopótamos) abatidos do Zimbabué e na Zâmbia – nessa altura o número de elefantes em África estava nos 415 mil, tendo caído mais de um terço em sete anos.

Em novembro passado, depois de publicada uma foto do filho mais velho de Trump com uma faca numa mão e a cauda de um elefante na outra, com uma carcaça do animal ao lado, o presidente dos EUA correu para o twitter: “Será muito difícil para mudar a minha opinião de que este programa de horror ajude de qualquer forma a conservação de elefantes ou de qualquer outro animal”. E a restrição manteve-se.

Até dia 1 de março. Altura em que o Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA (FWS), a agência federal responsável pela gestão e conservação da vida selvagem nos Estados Unidos, confirmou, através de um nota oficial, o levantamento da proibição de Obama, aumentando, aliás a lista de animais e de países. Assim, além dos paquidermes, também são permitidos troféus de leões e de um tipo de antílope trazidos do Zimbabué, Zâmbia, Namíbia, África do Sul, Tanzânia e Botswana. A agência referiu que nem todas as importações serão possíveis e que farão uma análise caso a caso para avaliar os “critérios de conservação de espécies”.

As associações de defesa dos direitos animais dos animais protestaram, mas o diretor do Safari Club International disse ao The New York Times justificou que “este é um passo na direção certa. Embora algumas pessoas não gostem de caça, no sul da África é muito positivo para a conservação da vida selvagem”.

Os grupos de defesa dos animais rejeitam este tipo de justificação e receiam que esta nova medida aumente as importações e as próprias caçadas. “A caça diminuiu em África. Muitos organizadores terminaram com as suas operações no Zimbabué e na Tanzânia porque não eram economicamente viáveis, segundo Masha Kalinina, especialista em comércio internacional da ONG Humane Society International ao jornal Le Monde. Com esta nova lei, diz, “arriscamos a que voltem ao ativo”.