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Florestas verticais, a nova proposta para combater as alterações climáticas

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Stefano Boeri Architetti

Alguma vez quis viver numa casa da arvore quando era pequeno? E se lhe dissermos que já é possível e que ainda por cima ajuda o planeta? Conheça os bosques verticais do arquiteto italiano Stefano Boeri,

Alguns autores defendem que as alterações climáticas dos últimos anos são irreversíveis e só tendem a piorar. Outros, acreditam que ainda existe esperança. Stefano Boeri, arquiteto italiano, faz parte deste último grupo.

Boeri é especialista em arquitetura sustentável e ficou conhecido por integrar árvores e plantas nas fachadas de edifícios altos, e assim criar o que apelidou de "florestas verticais". Uma das suas criações mais conhecidas é o Bosco Verticale, um edifício de apartamentos de luxo em Milão, Itália.

"As cidades produzem 75% do CO2 que está presente na nossa atmosfera. Os bosques de todo o mundo absorvem 40% desse gás. Se levarmos árvores e florestas às nossas cidades, estaremos a lutar contra o inimigo no terreno onde se produz o CO2", explica o arquiteto ao El Mundo.

A arquitetura de Boeri foca-se no principio de adotar a natureza como parte integrante das habitações e assim "evitar que a natureza esteja presente como um simples ornamento".

O desenho de um bosque vertical envolve um grande planeamento. Primeiro, o arquiteto e a sua equipa devem escolher as espécies de árvores e plantas a integrar no prédio, atentando às suas necessidades climáticas, de iluminação solar e de vento.

Depois, "desenha-se a arquitetura e delimita-se o espaço tridimensional que as árvores devem ter para crescer", e planeia-se o posicionamento de cada planta no seu devido sítio. Os edifícios de Boeri chegam a integrar árvores com mais de 9 metros de comprimento.

A partir daqui, há que se planear os sistemas de rega para cada planta e a melhor forma de prender as raízes às bases do prédio.

Este tipo de construções beneficia o ambiente ao absorver parte do CO2 gerado pela cidade, criando um ambiente mais limpo na área em redor do edifício e no mundo em geral.

As plantas são ainda planeadas ao milímetro e posicionadas de forma estratégica para o máximo benefício do ambiente e do próprio prédio: no verão, é possível poupar no consumo de energia elétrica graças ao microclima que as plantas criam; e no inverno, as plantas de folha caduca largam as suas folhas de forma a iluminar o interior das habitações.

Segundo o arquiteto, um único edifício pode conter mais de 21 mil plantas de mais de 100 espécies diferentes. Numa superfície de 1500 metros quadrados, consegue-se agrupar o equivalente a trêshectares de floresta – na vertical.

"Nestes edifícios, por cada ser humano existem duas árvores e 35 plantas", informa Boeri.

Apesar dos benefícios ambientais, o arquiteto frisa que os custos de desenho, construção e manutenção de um projeto destes são muito elevados.

Um projeto destinado à habitação social chamado Trudo Vertical Forest – mais propriamente, ao aluguer a pessoas jovens - está atualmente a ser desenvolvido em Eindhoven, na Holanda. Ainda assim, o preço por metro quadrado vai custar entre 1200 e 1300 euros.

Boeri não tem ainda nenhum projeto aplicável em Portugal, embora pretenda expandir este estilo arquitetónico para todo o mundo.