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Como Wikie, uma "baleia assassina", aprendeu a "falar"

Mundo

A orca de 14 anos consegue, garantem os treinadores, reproduzir palavras como "olá","adeus" e conta até três

Apesar de serem apelidadas de "baleias assassinas", as orcas, que pertencem à família dos golfinhos, comunicam-se através de sons, e possuem um dialeto único para cada família da espécie.

Um estudo feito pela Universidade de St. Andrews descobriu que estes animais conseguem reproduzir sons humanos. Wikie, uma fémea de 14 anos, vive num parque na França e foi ensinada pelos treinadores a imitar algumas palavras do discurso humano.

Segundo os investigadores, as expressões foram especificamente escolhidas com o objetivo de observar se o animal era capaz de copiar sons novos e desconhecidos. A orca tem no seu repertório as saudações "hello" (olá), "bye" (adeus), conta até ao número três, em inglês, e chama pelo nome da sua cuidadora, Amy.

Parcialmente imersa na água, com a cavidade nasal exposta na superfície (pois os sons reproduzidos debaixo de água são diferentes), o método de ensino de Wikie foi feito em três fases:

Numa primeira etapa, a orca teve que imitar os gestos feitos pelo treinador. Na segunda fase, reproduziu sons familiares que fazem parte do seu repertório natural, ou porque já havia sido treinada com eles. O terceiro passo foi colocá-la perante sons que nunca tinha ouvido e pedir-lhe que os repetisse - entre estes, sons emitidos por orcas e palavras do discurso humano pronunciadas pelos treinadores. Os sons foram reproduzidos por altifalantes e depois por pessoas até que Wikie os imitasse. Quando a orca correspondia aos comandos, recebia como recompensa peixes ou carinho dos seus treinadores.

"A baleia assassina que estudamos foi capaz de aprender vocalizações de outras orcas e também humanas, imitando-as. Esse resultado sugere uma explicação plausível de como as baleias assassinas na natureza aprendem os sons de outras orcas e como elas se desenvolvem e reproduzem seus dialetos", disse o professor Josep Call da Faculdade de Psicologia e Neurociências da Universidade de St Andrews e co-autor do estudo.