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O que é o 'swatting', que acaba de matar um homem?

Mundo

Kim Hong-Ji/ Reuters

O termo entrou para o dicionário em 2015, mas a "partida" a que se refere já era há muito conhecida das autoridades. "Um dia isto acaba mal" era o sentimento generalizado, que agora se provou certeiro

As vítimas são os utilizadores que transmitem em direto, através de streaming, os seus jogos online. Subitamente, vêem a sua casa invadida por uma equipa fortemente armada das forças de intervenção, que instantes antes receberam uma chamada falsa a alertar para uma situação suficientemente grave para justificar a sua presença. Todo o aparato é, se tudo correr bem para o lado do autor da "brincadeira", transmitido em direto também.

Na quinta-feira à noite, a partida de mau gosto fez a primeira vítima mortal - um agente da polícia disparou fatalmente sobre um homem, na cidade de Wichita, no estado norte-americano do Kansas, na sequência de uma chamada que as autoridades sabem agora não ter passado de uma mentira com resultados trágicos e que dava conta de um tiroteio e sequestro da morada da vítima, de 28 anos.

"Devido às ações de um brincalhão, temos uma vítima inocente", lamentou, na sexta-feira, em conferência de imprensa, um responsável pela polícia de Wichita.

A "brincadeira" é conhecida por "swatting" porque tem por objetivo levar à intervenção das equipas Swat na morada de um adversário no jogo ou de um jogador aleatório.

Em entrevista a um jornal local, a família da vítima identificou o jovem como Andrew Finch. "Ouvi o meu filho gritar, levantei-me e depois ouvi um tiro", contou a mãe aos jornalistas.

O agente que disparou o tiro fatal foi, entretanto, suspenso, enquanto decorre a investigação.

O que se sabe, para já, é que a pessoa que ligou para o número de emergência disse ao operador que tinha atingido acidentalmente o pai a tiro e que tinha, naquele momento um arma apontada à mãe e ao irmão.

"Eles estavam a discutir e eu atingi-o na cabeça e ele já não está a respirar", relatou o autor da chamada, que chegou a ameaçar incendiar a casa.

Quando a polícia chegou à morada, Andrew Finch saiu para a rua e, segundo os agentes, recusou-se a levantar as mãos como lhe foi repetidamente ordenado. Acabou por ser atingido quando fez um movimento que um polícia acreditou ser para sacar de uma arma (mas não era, porque estava desarmado, percebeu-se depois).

Fontes ouvidas pelo jornal Wichita Eagle, que se identificam como pertencendo à comunidade de jogos online, relatam que em causa esteve um desentendimento a propósito do popular jogo Call of Duty.