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Ficará a Catalunha (in)governável?

Mundo

Da esquerda para a direita: Xavier Garcia Albiol (PP), Miquel Iceta (PSC), Marta Rovira (ERC), Jordi Turull (Junts per Catalunya), Inés Arrimadas (Cuidadanos), Xavier Domenech (En Comu Podem) e Carles Riera (CUP)

Jon Nazca / Reuters

As eleições convocadas pelo governo de Madrid para responder à declaração unilateral de independência da Catalunha realizam-se esta quinta-feira. Nas urnas ficará a saber-se se a região pende para os independentistas ou para os constitucionalistas. Ou se estará tão dividida que será impossível de governar

Vânia Maia

Vânia Maia

Jornalista

Já é sabido que a participação nas eleições regionais da Catalunha de quinta-feira, 21, irá ultrapassar todos os recordes. O Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIS), a agência estatal de estatísticas espanhola, estima que 84,6% dos catalães irão expressar-se nas urnas.

Mas a distribuição dos 135 assentos parlamentares da Catalunha está longe de ser clara. É provável que nenhum dos blocos a votos consiga a maioria absoluta necessária para garantir a estabilidade da governação.

O presidente destituído da Generalitat, Carles Puigdemont, encabeça a lista Juntos pela Catalunha (JPC), enquanto o vice-presidente do governo regional, Oriol Junqueras, lidera a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC).

Puigdemont deverá acompanhar os resultados eleitorais na Bélgica, onde reside desde que a justiça espanhola emitiu um mandato de detenção contra si, já Junqueras estará em prisão preventiva no Centro Penitenciário Madrid VII de Estremera, ambos enfrentam acusações por terem declarado unilateralmente a independência da Catalunha.

As contas das sondagens

De acordo com o jornal catalão La Vanguardia, os independentistas da Esquerda Republicana da Catalunha, do Juntos Pela Catalunha e da Candidatura de União Popular (CUP) deverão somar 67 deputados, ficando apenas a um assento parlamentar da maioria absoluta (68 deputados). A ERC poderá somar 32 deputados, o JPC 28 e a CUP 7.

Os constitucionalistas, que defendem a manutenção da região em Espanha, deverão conseguir 59 deputados. São eles o Ciudadanos (que poderá eleger 31 deputados), o Partido Socialista da Catalunha (ao qual as sondagens atribuem 21 deputados) e o Partido Popular da Catalunha (que deverá ocupar sete assentos parlamentares).

A dança das coligações

Segundo a mesma sondagem, o Catalunha em Comum – Podemos (CeC-P), poderá conseguir 9 deputados, o partido defende a realização de um referendo sobre a independência, depois de acordado com Madrid. O CeC-P poderá vir a ser fundamental para viabilizar um governo que reúna o bloco independentista (ERC, JPC e CUP), caso os resultados eleitorais confirmem que os três partidos não conseguem a maioria absoluta.

Mas o CeC-P, liderado por Xavier Domènech, também poderá viabilizar um governo que reúna os constitucionalistas (Ciudadanos, PSC e PPC). Apesar de já terem afirmado que não irão apoiar um governo liderado pelo Ciudadanos, que deverá ser o partido constitucionalista mais votado (com 31 parlamentares), os deputados do CeC-P podem abster-se e viabilizar a sua investidura.

Existe, ainda, a possibilidade de o bloco constitucionalista contrariar as sondagens e conseguir a maioria absoluta sozinho. A liderança do governo regional caberia a Inés Arrimadas, a carismática líder do Ciudadanos na Catalunha.

Governar à distância

Se os independentistas ganharem prevê-se que o processo de independência continue e que o impasse apenas possa ser desfeito com negociações junto do governo de Mariano Rajoy, em Madrid.

Caso Oriol Junqueras saia vencedor das eleições, e continue em prisão preventiva, deverá ser substituído por outro nome da lista. A reeleição de Puigdemont parece difícil, mas o ex-presidente já afirmou que regressaria a Catalunha caso fosse reeleito, mas provavelmente seria detido à chegada.

Seja qual for o resultado eleitoral, o impasse catalão nunca terá uma solução imediata. E não faltarão próximos capítulos.