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Luta contra a vodka... na Rússia

Mundo

Uma idosa vende vodka adulterada numa rua de Moscovo

Stringer/Reuters

A braços com um problema de consumo excessivo de álcool, a Rússia quer dar como exemplo os que bebem menos

A relação quase umbilical dos russos com a vodka tornou-se uma questão de Estado. As cerca de 500 mil mortes por ano relacionadas com o consumo excessivo de álcool puseram o país em alerta e despertaram as autoridades.

A questão, agora, não é saber quem bebe mais, mas exatamente o contrário, quem bebe menos. As regiões onde a ingestão de vodka são menores vão ser dadas como exemplo perante todo o território.

Assim, e para a campanha Rússia Sóbria juntaram-se vários investigadores e ativistas para mostrar que as localidades em que menos se consome são aquelas onde melhor são aproveitados os recursos públicos e os cidadãos são tratados da melhor forma.

Este grupo fez um mapa do consumo de álcool, em que participaram economistas, sociólogos, historiadores, juristas, psicólogos e jornalistas. O trabalho teve como base alguns critérios como a venda de bebidas, a taxa de mortalidade por intoxicação alcoólica, o número de crimes praticados em estado ébrio e o números de doentes hospitalizados por alcoolismo.

As zonas onde se bebe mais estão no norte, a este e no centro asiático, que são, também, as mais despovoadas.

Já nas regiões do Cáucaso, como a Chechénia, estão os menos bebedores - o predomínio de muçulmanos ajuda a esta conclusão. Apesar disso, uma das regiões não muçulmanas melhor classificadas neste ranking em forma de mapa é Bélgorod, junto à fronteira com a Ucrânia e próxima do Cáucaso.

Por oposição, as localidades mais frias do país são onde o consumo de vodka é mais alto, e nem as grandes cidades, como Moscovo ou São Petersburgo, escapam.

Enquanto na Chechénia foi vendido 0,1 litros de álcool por pessoa (a taxa mais baixa), em Madagán foi onde se consumiu mais, 14,1 litros por pessoa, seguida de Moscovo.

Além de quererem pôr os bons exemplos em destaque para, com isso, diminuir o consumo excessivo, as autoridades também estão preocupadas com a cada vez maior prevalência de bebidas adulteradas – mais baratas que a vodka – sobretudo nas regiões mais pobres. Recorde-se que, há um ano, na região da Sibéria, cerca de 60 pessoas morreram depois de ingerirem uma loção de banho à base de álcool metílico e flores. Mais de metade das mortes por intoxicação alcoólica são causadas por este tipo de bebidas.