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Psiquiatras pedem "avaliação urgente" à saúde mental de Donald Trump

Mundo

Donald Trump, na última quarta-feira, no estado do Missouri

Kevin Lamarque

Em carta enviada ao The New York Times, Bandy X. Lee, da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, explica os motivos para esta tomada de posição, que diz refletir a preocupação de "milhares de profissionais de saúde mental" com o Presidente dos Estados Unidos da América

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

"Avisar sobre a instabilidade psiclológica do Presidente e os perigos associados" foi o mote para o livro sobre o estado de saúde mental de Donald Trump, "The Dangerous Case of Donald Trump: 27 Psychiatrists and Mental Health Experts Assess a President" ("O Perigoso Caso de Donald Trump: 27 Psiquiatras e Especialistas em Saúde Mental avaliam o Presidente"). Publicado em outubro, os autores desrespeitaram as normas da Associação Americana de Psiquiatria - que proíbe os médicos de avaliarem clinicamente figuras públicas que nunca consultaram - e justificaram a decisão com o dever cívico e moral de alertar a população.

Agora, Bandy X. Lee, a autora principal, da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, vai mais longe. Em carta publicada no The New York Times (NYT), a psiquiatra pede uma avaliação urgente do Presidente Donald Trump, tendo em conta os seus comportamentos mais recentes.

Bandy X. Lee, a psiquiatra que pede uma "avaliação urgente" a Trump

Bandy X. Lee, a psiquiatra que pede uma "avaliação urgente" a Trump

Robert A Lisak

"Estamos neste momento a testemunhar mais do que o seu habitual estado de instabilidade psicológica - na verdade, um padrão de descompensação: crescente perda de contacto com a realidade, sinais de volatibilidade e comportamento imprevisível, e uma atração pela violência como um meio necessário. Estas características deixam o nosso país e o mundo num extremo risco de perigo", escreve a médica do Massachusetts General Hospital, que diz representar, não apenas os coautores do referido livro, mas também "milhares de profissionais de saúde mental" que hoje estão "precupados" com a situação.

"Por norma, recorremos a um processo rotineiro para tratar pessoas perigosas: conteção, impedir o acesso a armas e avaliação urgente. Estamos impossibilitados de o fazer devido ao estatuto de Presidente do senhor Trump. Mas o poder da Presidência e o tipo de arsenal a que ele tem acesso deveria aumentar o nível de alarme, não diminuí-lo", prossegue na missiva com honras de primeira página na edição online do NYT.

Dito isto, Bandy X. Lee termina com um apelo generalizado à sociedade americana: "Instamos as pessoas e os legisladores deste país a pressionarem para uma avaliação urgente do Presidente, para a qual estamos no processo de constituir um painel independente de especialistas, capaz de respeitar e executar todos os precedimentos médicos adequados."

Esta não é a primeira vez que a comunidade médica se mostra apreensiva com a saúde mental do Presidente, mas o assunto voltou esta semana ao espaço mediático, com Joe Scarborough, um conhecido apresentador da cadeia televisiva MSNBS que já foi congressista, a revelar que, durante a corrida eleitoral do ano passado, fontes da campanha de Donald Trump lhe garantiram que o então candidato sofria de "um estado inicial de demência".