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Lembra-se da polémica em torno desta foto? Foi obra de um "troll" russo

Mundo

Jamie Lorriman

Uma mulher com hijab passa junto a uma vítima do ataque terrorista de março, em Londres. A imagem é partilhada no Twitter com uma legenda a acusá-la de indiferença perante o terror. Seguiu-se o habitual coro de indignados, mas a conta que lhe deu origem é, afinal, uma das milhares de contas russas dedicadas a fazer circular notícias falsas

Tem o rosto perturbado, como todos nesse dia, em Westminster mas a imagem é partilhada no Twitter como uma "mulher muçulmana que não liga nenhuma ao ataque terrorista e passa casualmente por um homem moribundo enquanto olha para o telefone". Estavamos a 22 de março e o radicalizado Khalid Masood tinha acabado de matar cinco pessoas e ferir mais de 50, avançando sobre uma multidão na ponte de Westminster com uma carrinha.

O tweet nasceu na conta @Southlonestar, uma das milhares de contas falsas com origem na Rússia, sabe-se agora. Já na altura, o fotógrafo Jamie Lorriman, que captou a imagem, esclarecia que a mulher em causa estava visivelmente "perturbada" e "traumatizada". Mas isso não impediu que milhares inundassem as redes sociais com ataques dirigidos à protagonista da fotografia.

Jamie Lorriman detestou ver a sua foto tirada do contexto e usada para forçar uma agenda. "As pessoas que odeiam vão usar qualquer coisa como arma para a sua opinião", previu.

A conta @Southlonestar, que tinha mais de 16 mil seguidores e era apresentada como pertencendo a um "Texano orgulhoso e americano patriota", é uma das 2700 identificadas pelos Estados Unidos como falsas, criadas na Rússia para influenciar a política no Reino Unido e Estados Unidos.

O Comité norte-americano de Inteligência da Câmara dos Representantes está ainda a investigar as suspeitas de que o Kremlin teve intervenção sistemática nas últimas eleições presidenciais, em conluio com a campanha do vencedor Donald.