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Eleições na Catalunha a 21 de dezembro

Mundo

Susana Vera/ Reuters

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, anunciou hoje que marcou eleições autonómicas na Catalunha para 21 de dezembro, por ter dissolvido o parlamento regional, na sequência da declaração unilateral de independência

O Governo espanhol ordenou esta sexta-feira a destituição do presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, o vice-presidente, Oriol Junqueras, e todos os 'consellers' (ministros regionais) da Generalitat, medidas ao abrigo da aplicação do artigo 155º da Constituição.

Os deputados independentistas do parlamento regional da Catalunha aprovaram hoje a independência da região com 70 votos a favor, 10 contra e dois em branco, com os partidos catalães que se opõem à independência a abandonarem a sala do plenário antes da votação.

Pouco depois, o senado de Espanha aprovou por maioria absoluta autorizar o governo a aplicar o artigo 155º da Constituição, que suspende a autonomia da Catalunha e implica a destituição de todos os membros do Governo da Catalunha, a limitação das competências do parlamento regional e a marcação de eleições num prazo de seis meses.

Puigdemont pede "paz, civismo e dignidade" aos catalães

Na primeira intervenção pública após a votação, Puigdemont falou aos milhares de catalães que acompanharam a votação no parque da Ciudadela, em Barcelona, para insistir na legitimidade do processo separatista.

"Como sempre foi e sempre será", são as instituições e os cidadãos que, "em conjunto, de forma inseparável, constroem o povo e a sociedade", disse.

"Nos dias que se seguem, temos de manter os nossos valores de pacifismo e dignidade. Está nas nossas, nas vossas mãos, construir a república", afirmou.

Carles Puigdemont disse ainda que, com a votação de hoje, o parlamento regional "cumpriu um passo há muito desejado" e "culminou o mandato das urnas", referindo-se ao referendo sobre a independência de 1 de outubro.

No mesmo tom, o "número dois" do governo regional, Oriol Junqueras, pediu "responsabilidade, humildade e generosidade" aos cidadãos "da república" que hoje "transbordam de alegria" e "confiança" àqueles que possam ter "alguma razão para inquietude ou preocupação".

"Atuamos de boa-fé, com respeito e estima", disse Junqueras, que falava lado a lado com Puigdemont.

PR critica declaração de independência da Catalunha e defende respeito pela unidade de Espanha

O Presidente da República criticou hoje a declaração unilateral de independência da Catalunha, considerando que desrespeita a Constituição espanhola e não contribui para salvaguardar o Estado de direito democrático e defendeu o respeito pela unidade de Espanha.

Esta posição de Marcelo Rebelo de Sousa foi transmitida numa nota divulgada pela Presidência da República aos jornalistas que acompanham a sua deslocação aos Açores.

"O Presidente da República, tal como o Governo, reafirma o respeito pela unidade do Estado espanhol, incompatível com o reconhecimento da invocada declaração unilateral de independência da Catalunha, que, além de não respeitar a Constituição [espanhola], não contribui para a salvaguarda do Estado de direito democrático e o regular funcionamento das instituições", lê-se no documento.

com Lusa