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Wolfgang Schäuble, o grande disciplinador

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TOBIAS SCHWARZ / GettyImages

Os resultados eleitorais obrigaram Merkel a abdicar do seu ministro das Finanças. Recorde o político que fez a vida negra a Portugal

Após quase uma década como ministro das Finanças e guardião da austeridade na União Europeia, Schäuble prepara--se para assumir a presidência do Parlamento alemão.

Sede de poder

Cumpriu o mês passado 75 anos mas nem quer ouvir falar de reforma. É uma das personalidades mais marcantes da história contemporânea da Alemanha e há mais de meio século que vive para a política. Militante da União Cristã Democrata (CDU) desde 1961 e deputado federal desde 1972, foi um dos obreiros da reunificação do país, a par de Helmut Kohl, de quem foi ministro, delfim e principal colaborador. Neto de um carpinteiro e filho de um contabilista, Wolfgang Schäuble sempre teve uma enorme apetência pelo poder e sobretudo pela gestão das contas públicas – tema que lhe serviu, aliás, de mote à tese de doutoramento, após ter concluído os estudos de direito.

Ódios e amores

A carreira e a vida de Schäuble poderiam ter acabado a 12 de outubro de 1990: os tiros de um doente psiquiátrico deixaram-no paraplégico mas o atentado converteu-o num dos governantes mais populares da Alemanha. Algo que perdura até hoje, graças ao seu desempenho nos últimos oito anos como ministro das Finanças – pelos superavits germânicos e por defender o rigor orçamental e a austeridade contra a Europa do Sul. Para muitos gregos é apenas visto como “nazi”.

Sacrifícios 
por Merkel

Os resultados das legislativas de 24 de setembro ditaram mais uma vitória da CDU e a reeleição de Angela Merkel para um quarto mandato. Mas a necessidade da chanceler formar um novo governo de coligação com Verdes e Liberais obrigou-a prescindir de Schäuble e a deixar vago o apetecido lugar de topo no ministério das Finanças.

Sucessor ambicioso

Não é a primeira vez que Schäuble teve de sacrificar-
-se pela chanceler. No final dos anos 90, quando era apontado como futuro líder da CDU e do governo de Berlim, perdeu a corrida para Merkel devido ao seu envolvimento num escândalo de financiamento ilegal – por ter recebido um cheque, para o partido, de um traficante de armas. Agora, o tabloide Bild diz que Merkel “sacrifica Schäuble em proveito de [Christian] Lindner”, o líder dos liberais. Com 38 anos, este politólogo definiu o ainda ministro como uma “personalidade excecional“ e aplaudiu a sua indigitação para o Bundestag. 
E caso lhe suceda promete boicotar as propostas francesas de reformar a zona euro.