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O que dizem os líderes europeus sobre o referendo na Catalunha? Pouco

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JOSE JORDAN / GettyImages

Só os primeiros-ministros belga e esloveno reagiram, com incómodo, às imagens de violência que chegam de Barcelona. O número de feridos, depois do embate com a polícia, subiu para 761

Gisa Martinho

Gisa Martinho

Editora Executiva

Michel Charles foi o primeiro a romper o silêncio europeu, a meio do dia, perante o braço-de-ferro entre a polícia e os catalães que tentaram hoje votar no referendo sobre a independência da Catalunha. “A violência nunca deve ser a resposta. Condenamos todos as formas de violência e reafirmamos a necessidade de um diálogo político”, escreveu o primeiro-ministro belga no twitter.

Uma hora depois era a vez do esloveno Miro Cerar, também no twitter e também liberal, de mostrar “preocupação” com as imagens de violência que marcaram este domingo (1 de outubro) em Barcelona. De acordo com os últimos dados do governo catalão (Generalitat), o número de feridos subiu para 761. “Apelo ao diálogo político, ao Estado de Direito e a soluções pacíficas”, escreveu.

A reação dos membros da família liberal europeia contrasta com o ‘toque de recolher’, até ao momento, das restantes capitais europeias. Em Bruxelas, só o Parlamento Europeu está a seguir com atenção a crise na Catalunha. O líder dos liberais europeus, Guy Verhofstadt, condenou “o uso desproporcional da violência”, num comunicado em que defende “a redução da escalada” e lembra que a União Europeia pode “encontrar soluções através do diálogo político”.

E na bancada dos Verdes, os co-presidentes Ska Keller e Philippe Lamberts classificaram de “erro enorme de Rajoy” a violência massiva da polícia. “A Comissão Europeia não pode continuar cega na situação na Catalunha. A Comissão deve promover o diálogo e oferecer-se para mediar”, dizem.

Os media indicam que Angela Merkel terá telefonado esta tarde ao presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, para discutir os acontecimentos em Barcelona. Não foram adiantados os tópicos da conversa bilateral, mas durante a comunicação à noite, a partir da Moncloa, Rajoy começou por dizer que “não houve referendo de autodeterminação em Catalunha”. “O nosso Estado de Direito continua vigente”, disse, para acrescentar que “fracassou um processo que só serviu para semear a divisão”. O líder espanhol anunciou, no entanto, que irá ao congresso esta segunda-feira e que “não encerra nenhuma porta”.