Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

MPLA venceu as eleições e João Lourenço será o novo Presidente

Mundo

MARCO LONGARI / GettyImages

Apesar da forte queda face às eleições de 2012, o partido do poder conseguiu assegurar a maioria qualificada no Parlamento, com pelo menos 150 deputados eleitos. Os partidos da opisição tiveram, juntos, mais votos do que o MPLA em Luanda e Cabinda

O MPLA venceu as eleições gerais angolanas com 61,70% dos votos, de acordo com a atualização dos dados provisórios da votação de quarta-feira divulgada hoje pela Comissão Nacional Eleitoral, elegendo João Lourenço como o próximo Presidente da República.

De acordo com os dados avançados pela porta-voz da CNE, Júlia Ferreira, quando estão escrutinados 9.114.386 votos (97,82% do total), o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) lidera a contagem nacional, com 4.071.525 votos (61,10%), seguido da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com 1.780.038 votos (26,71%)

Com este resultado, que corresponde a um total de 150 mandatos para o MPLA, o partido no governo em Angola consegue também manter a maioria qualificada (acima dos 147 deputados eleitos), apesar da forte quebra da votação face às eleições gerais de 2012.

A UNITA mantém-se como segunda força política de Angola, com a lista liderada por Isaías Samakuva, segundo os dados provisórios da CNE, a subir para 51 deputados.

Na terceira posição surge a Convergência Ampla de Salvação de Angola -- Coligação Eleitoral (CASA-CE) com 630.234 votos (9,46%) e 16 deputados, mantendo-se na quarta posição o Partido de Renovação Social (PRS), com 88.717 votos (1,33%) e dois deputados.

A histórica Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) viu a votação descer para 60.293 votos (0,90%) e perdeu um dos dois deputados que tinha das últimas eleições.

Fora do parlamento angolano, na contagem provisória, fica a estreante Aliança Patriótica Nacional (APN), arrecadando 32.727 votos (0,49%).

Além da eleição de João Lourenço como Presidente da República, sucedendo a 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, enquanto cabeça-de-lista do MPLA pelo círculo nacional, estes dados apontam para a eleição de Bornito de Sousa, número dois da lista daquele partido, para vice-Presidente da República.

Os dados nacionais apontam ainda para uma abstenção global de 23,41%, equivalente a 2.134.057 eleitores que não foram às urnas na quarta-feira, num universo de 9.317.294 em condições de o fazer.

UNITA e CASA-CE com mais votos em Luanda e Cabinda

As duas principais formações da oposição em Angola, a UNITA e a CASA-CE, obtiveram juntas mais votos na província de Luanda do que o MPLA (no poder há 42 anos), ao contrário do que aconteceu nas eleições de 2008 e 2012.

Os resultados da província de Luanda, um dos mais populosos e onde se encontra a capital, são praticamente finais, uma vez que já foram contabilizados os votos de 2.786.593 eleitores, ou 99,46% do universo, indicam os dados divulgados hoje pela porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Júlia Ferreira.

De acordo com os dados (ainda não finais), o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) lidera a contagem, conseguindo 1.010.371 votos (ou 48,22%), seguido da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com 743.879 (ou 35,50%). Estes são os dois únicos partidos que elegem deputados por Luanda, três para o MPLA e dois para a UNITA.

A Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), surge como terceiro classificado, com 305.435 votos (14,58%).

Os restantes partidos não conseguem chegar, cada um deles, a 1% da votação da província da capital. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) obteve 15.621 (0,75%), enquanto o Partido de Renovação Social (PRS) conseguiu 12.372 votos (0,59%) e a Aliança Patriótica Nacional (APN) apenas 7.655 (0,37%).

O cenário final das eleições deste ano em Luanda é muito diferente das eleições anteriores.

Em 2012, o MPLA obteve 59,47%, contra os 24,77% da UNITA e os 12,84% da CASA-CE, enquanto em 2008 o desequilíbrio foi ainda maior: o MPLA obteve 78,79% e a UNITA apenas 14,06%.

No entanto, na quinta-feira a UNITA afirmava-se vencedora na província de Luanda, afirmando ter em sua posse as atas-síntese das assembleias de voto que provam isso mesmo.

"O MPLA não ganhou Luanda, e nós vamos prová-lo, com atas e não com um discurso de uma folha e muita água", disse na altura o mandatário da UNITA às eleições gerais, José Pedro Cachiungo.

Além de Luanda, também em Cabinda a UNITA e a CASA-CE obtiveram mais votos, juntas, do que o MPLA.

Os resultados da província de Cabinda (um enclave no norte de Angola) são praticamente finais, uma vez que já foram contabilizados os votos de 99,46% dos eleitores.

De acordo com os dados provisórios, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) lidera a contagem, conseguindo 60.501 votos (ou 39,75%), seguido da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), com 44.632 votos, ou 29,33%.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) surge muito próximo, no terceiro lugar, com 42.844 votos (correspondendo a 28,18%).

O Partido de Renovação Social (PRS) ficou-se pelos 1.605 votos (1,5%), seguido da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), com 1.370 (0,9%) e da Aliança Patriótica Nacional (APN), com 1.187 (0,78%).

A abstenção na província, um enclave envolvido pela República Democrática do Congo e com uma frente de costa atlântica, foi de 22,79%.

Luanda e Cabinda são assim, das 18 províncias angolanas, as duas únicas onde a oposição, em conjunto, obteve mais votos do que o MPLA.