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O dia em que Richard Nixon mandou bombardear a Coreia do Norte foi dia de bebedeira

Mundo

AFP

Em abril de 1969, o presidente americano, furioso e alcoolizado, ordenou um ataque nuclear contra o país de Kim Il-Sung. Foi Henry Kissinger quem evitou a III Guerra Mundial

A 9 de agosto de 1974 - faz hoje 43 anos - Richard Nixon demitiu-se da presidência dos Estados Unidos da América, na sequência do escândalo do Watergate. Mas as histórias dos seus mandatos ainda dão muito que falar.

Em abril de 1969, Nixon ainda era um “presidente caloiro”, uma vez que tomara posse em janeiro. Os EUA e a Coreia do Norte, inimigos desde a guerra da Coreia, no início dos anos 50, estavam como agora, a provocar-se mutuamente.

Até que a Coreia do Norte abate um EC-121, avião espião americano que sobrevoava o mar do Japão. Richard Nixon ficou em fúria. E como viria a contar Bruce Charles, um piloto da Força Aérea baseado na Coreia do Sul, estes operacionais foram colocados em alerta no sentido de levar a cabo o SIOP (Single Integrated Operational Plan), que era tão somente o plano de ataque nuclear dos EUA contra os comunistas coreanos.

A missão de Charles era a de largar sobre a Coreia do Norte uma bomba nuclear de 330 quilotoneladas, revelou o piloto à rádio pública NPR. A bomba que armava o seu avião era 20 vezes mais poderosa do que a que fora lançada sobre Hiroshima. Mas algumas horas depois, nova ordem viria abortar o plano. Richard Nixon optava por não responder aos norte-coreanos.

O que sucedera? Anthony Summers e Robbyn Swan, dois autores de não-ficção premiados nos EUA, viriam a explicar tudo numa investigação publicada em 2010. Richard Nixon estava alcoolizado quando dera a ordem aos comandantes no terreno.

“Se o presidente levasse as suas ideias avante, haveria uma guerra nuclear todas as semanas”, dizia Henry Kissinger, citado pelos autores do livro. Kissinger, um dos mais destacados diplomatas americanos, era, em 1969, secretário de Estado, cargo equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros.

E foi ele quem telefonou aos comandantes militares e os convenceu a não cumprir de imediato a ordem de Nixon, pelo menos até ao presidente acordar sóbrio no dia seguinte.

Agora que as provocações entre os EUA e a Coreia do Norte voltam a estar ao rubro, recorda-se esta história movida a álcool, mas que quase lançou o mundo na III Guerra Mundial.

Donald Trump promete agora “fogo e fúria” contra o regime de Kim Jong-Un. Se fosse num episódio de A Guerra dos Tronos, seria antes “fogo e gelo”. Mas isto não é televisão; é mesmo a realidade.