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Guardiola, o ponta de lança da independência catalã

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Reuters

Catalães convocam referendo secessionista para 1 de outubro, em colisão frontal com o governo de Madrid. Pep Guardiola, figura de projeção internacional do movimento, vai ler, este domingo o manifesto a favor do voto

Na multidão que se espera no próximo domingo, em Barcelona, um rosto vai distinguir-se na defesa do referendo secessionista na Catalunha. Pep Guardiola, agora treinador do Manchester City, irá ler o manifesto de unidade a favor da votação que, desta vez, parece mesmo que irá para a frente. Esta sexta-feira, o governo catalão anunciou a pergunta e a data do referendo – 1 de outubro –, à revelia de Madrid e da posição do Tribunal Constitucional.

À pergunta “Aceita que a Catalunha seja um Estado independente em forma de República?”, Guardiola vai responder “sim”. Independentista de longa data, o antigo jogador e ex-treinador do Barcelona fez parte das listas de candidatos do partido Convergència y Esquerra nas eleições regionais de 2015, ainda que em lugar simbólico, não elegível. “Se alguém fica chateado com a minha participação no processo, é problema seu. Se existisse um Estado catalão, teria jogado pela Catalunha”, disse há uns anos, durante a campanha 'Guanyarem'.

Na consulta informal independentista, de 9 de novembro de 2015, apanhou um voo de Munique rumo a Barcelona só para votar. E não esconde a intenção de se converter no futuro selecionador da Catalunha: “Como catalão seria um prazer estar na seleção catalã, ainda que seja uma coisa complicada e difícil, que parece que vai demorar”.

Em “18 ocasiões” o Estado negou aos catalães decidirem sobre o seu futuro, lembrou hoje Oriol Junqueras, número dois da administração catalã, durante o anúncio formal do referendo. Mas a região espanhola não desiste de, pelo menos, convocar um referendo para a independência como aconteceu com a Escócia em 2014 – e que pode ser repetido no final de 2018 ou início de 2019 consoante o rumo do Brexit. O presidente da Generalitat Carles Puigdemont avisou que o “problema real é o ‘não quero’ [de Mariano Rajoy]”.

O governo central ainda não respondeu ao último desafio catalão, mas recentemente afirmou que “o referendo não se irá celebrar” nem que tenha de usar todos os instrumentos necessários para o evitar. Entre as opções de Rajoy está o temido artigo 155, que permite a suspensão da autonomia.

Para prevenir um bloqueio legal, como aconteceu no passado, Barcelona ainda não aprovou nenhum documento susceptível de ir parar ao Tribunal Constitucional. A máquina eleitoral está em marcha com a compra de urnas e boletins de voto, ainda que com a justificação de ser para as próximas eleições, mas só no final de agosto o decreto da convocatória deve ser aprovado.

As últimas sondagens sugerem que 44,3% dos catalães apoia o divórcio entre Barcelona e Madrid e 48,5% prefere o statu quo. A mesma sondagem indica também que a maioria é a favor de colocar a questão da independência a votos, como vai pedir Guardiola este domingo em Montjüic, Barcelona. “Representa a sensibilidade de centenas de milhares de pessoas que projetam um futuro melhor à base do rigor, exigência, trabalho e vontade de não dar o jogo por perdido”, remata Jordi Sànchez, presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC). GM