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Está o inglês a perder influência na Europa? O presidente da Comissão Europeia acredita que sim

Mundo

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Christian Hartmann/Reuters

Jean-Claude Juncker diz que a saída britânica da União Europeia (Brexit) vai diminuir a influência da língua que hoje é a mais falada na União Europeia

Francisco Perez

Jean-Claude Juncker é luxemburguês, poliglota e presidente da Comissão Europeia. Habituado, por isso, a discursar em diferentes línguas, protagonizou um momento polémico esta sexta-feira em Florença, quando questionou a importância da língua inglesa para a Europa. “Estou na dúvida se devo falar em inglês ou francês. Mas já fiz a minha escolha. Vou expressar-me em francês porque, lenta, mas certamente, o inglês vai perder importância na Europa”. (pode ver aqui o discurso completo)

As declarações do antigo primeiro-ministro luxemburguês levantam alguma polémica, sobretudo se se tiver em conta que o inglês é a língua não-nativa mais falada na União Europeia (38%). Segundo o Eurostat, 94% dos estudantes com formação superior ao ensino secundário aprendem a língua.

Antes de 2004, o francês era a principal língua de comunicação nas instituições do bloco, mas a entrada de dez países do leste europeu mudou o paradigma. De facto, o inglês é língua oficial na Irlanda e em Malta, o que significa que, mesmo após ser consumado o “Brexit”, continuará a ser falado na UE.

Jean-Claude Juncker, que é fluente em francês, alemão, inglês e luxemburguês, referiu ainda que a sua escolha em discursar naquela língua se deveu ainda às presidenciais francesas deste domingo. “Quero que eles percebam o que lhes estou a dizer”.

Esta semana, Theresa May acusou “algumas pessoas de Bruxelas” de tentarem interferir nas eleições britânicas de 8 de junho, convocadas pela primeira-ministra inglesa para reforçar a sua posição no Governo.